Esse é um texto que permeia a minha mente há tempos, mas nunca escrevia, mas hoje eu acredito que tudo se encaixou perfeitamente para que ele ganhe vida. Hoje é um domingo, possivelmente o dia mais medíocre da semana juntamente com as quartas (Dados tirados do Instituto “Minhas vivências”) então porque não dizer que eu brindo por esse dia mediano que não movimenta muita coisa.
Antes de apresentar o meu ponto, acho importante falar sobre qual seria a definição do termo “mediocridade”. Acho que nos dias de hoje o termo é muito lido como quase ofensivo, mas creio que não seja exatamente isso que ele seja.
Segundo o Dicio – Dicionário Online da Língua Portuguesa (Essa fonte pode confiar) mediocridade significa:
Característica ou estado de medíocre, do que não é bom nem ruim; mediocrismo.
Circunstância compreendida entre a abundância e a pobreza; modéstia.
Como pudemos ver pela descrição do termo, mediocridade é algo que não é bom e nem ruim, que fica ali no meio. Acredito que seja algo que cumpra uma função não tão elaborada com êxito e não com uma excelência digna de se chamar perfeito. Mesmo que tenha contornos negativos, eu gostaria que vocês se apegassem à distinção que usei para então tentar entender o meu ponto.
Nos dias de hoje eu noto que as coisas para terem algum valor precisam de uma monstruosa aprovação. Tipo, a música nova de tal pessoa só pode ser chamada de boa se for uma grande unanimidade entre os quatro cantos da internet e em vários grupos sociais. O contrário também é uma constante, embora funcione de forma diferente, não pode ser ruim e pronto, precisa ser horrível. Nunca é só um ruim, um medíocre, um esquecível, é sempre absurdamente tenebroso, muito ruim, um crime contra a humanidade, e sinceramente? Eu acho essa visão não só limitante como faz com que você perca coisas que podem ser uma ótima distração por besteira.
O que quero dizer é que nem nós somos 8 ou 80, temos muitas partes cinzas nesse meio e isso com certeza pode ser dito do entretenimento também. Vou pegar de exemplo alguns atos que foram muito detonados, mas que me renderam umas horas de distração divertida por serem não exatamente as piores coisas do mundo, mas algo no meio, algo mais medíocre do que qualquer outra coisa.
O primeiro deles é, e não sei se isso vai chocar vocês, o livro de Crepúsculo. Sim, o famigerado vampiro que brilha, com a Bella sem expressão e os lobos que nunca usam uma camisa. Quando fui ler o primeiro livro por não ter absolutamente nada para fazer no momento, eu até que embarquei na proposta de início, mas depois o interesse foi mirrando até o seu final. Quando terminei eu pensei “Nossa, nem de longe é tão horrível quando dizer”, foi uma leitura que considerei bem mediana, mas nesse caso mais para o lado ruim e não terminei a saga, fiquei no primeiro mesmo.
O segundo deles é As Marvels. É, o famigerado filme da lacração, o filme que ousou o pecado de empurrar toda a agenda woke nossa goela abaixo. A Brie Larson já havia sido muito criticada por conta do primeiro filme, mas digo que ela é o ponto mais alto do primeiro filme. A Carol Danvers que vi ali é exatamente a Carol Danvers que queria ver, chega, faz o que tem que fazer, vai embora, de poucas palavras tal qual sua contraparte nos quadrinhos. Iman Velani e Teyonah Parris também dão vida a suas personagens de uma maneira bacana, mas nenhuma está extremamente inspiradora e em uma interpretação digna de prêmios. Porém para e pensa, é um filme de super-herói, qual sua expectativa com relação a ele. A minha é exatamente o que você está pensando, um filme medíocre que não vai exigir muito da minha mente e que vai me divertir naquela pequena hora em que passar e sinceramente, ele cumpre isso para mim. É um filme maravilhoso? Não. É um lixo de filme? Nem passa perto também. Minha opinião é de que cumpre o papel de me segurar por aquele tempo e deixar um sentimento quentinho ao terminar. Eu esperava um 5 e obtive um 5.
Hoje em dia temos acesso a bastante coisa para nos entreter, jogos, livros, filmes, séries, músicas, dificilmente tudo será perfeito ou péssimo a ponto de serem lembrados. Muita coisa vai ficar na região cinzenta do medíocre e como você viu nos exemplos que dei acima, alguns medianos serão esquecíveis e você vai seguir a vida, outros serão um entretenimento fugaz, que naquele momento vai fazer todo o sentido e que talvez você revisite em algum momento da vida, ou até mesmo te tornar um fã de carteirinha porque aquele medíocre ali cai como uma luva em tudo que você gosta em uma obra, mesmo que não seja feito de maneira perfeita. Não pese tão a mão no que você vai consumir para se divertir, ou você acaba perdendo o real ponto disso, que é distrair de dias pesados.
Ps: Nesse momento escuto a mediana “Still Alive” de Demi Lovato e que música boa. Hahahahaahaha
Foto de Capa por Yaroslav Shuraev