Nos últimos tempos aconteceu uma coisa muito interessante, mas que foi pouco comentada ao menos na minha bolha. Rodrigo Branco, empresário que vive em Orlando dando vários VIPs para celebridades nacionais, foi condenado por racismo contra a médica e vencedora do BBB20 Thelma de Assis. Em um vídeo o empresário reconhece a culpa por seus atos, diz que não entrará com recurso e que já havia pago o valor que foi pedido na condenação, pede desculpas para os ofendidos e se diz aprendendo com os erros.
Assim que postou seu vídeo o empresário recebeu uma enxurrada de comentários solidarizando com ele incluindo de gente famosa. Todos dizendo coisas como “Que bom que você reconheceu que errou né? Meus parabéns por isso. ” Nisso eu fiquei pensando, como é bom ser branco, rico, padrão e hétero (talvez, não sei se ele é mesmo), o cara é super rico, o que gastou não deve fazer cócegas no orçamento, vai lá, faz um vídeo dizendo que está arrependido e pronto, um monte de apoio.
Mas será que as vítimas recebem todo esse suporte quando denunciam o crime?
Pensando por um minutinho a resposta é bem óbvia. Para ilustrar o meu ponto vou trazer aqui um filme chamado Savageland (2016). Na trama um imigrante ilegal chamado Francisco Salazar é acusado de chacinar uma pequena cidade do Arizona chamada de Sangre Del Cristo em apenas uma noite. A cidade que tinha apenas 57 moradores mostra um cenário apavorante, uma trilha de sangue e corpos destroçados para todo o lado. Vários corpos não puderam ser identificados, outros desapareçam sem qualquer sinal de onde estaria.
Salazar é preso quilômetros do local e então julgado. A acusação diz que Salazar não havia dito uma palavra desde que foi preso, mas graças ao repórter Lawrence Ross e o agente de fronteira Carlos Olivares a realidade vem à tona e não é NADA do que a polícia e o sistema judiciário apresentam como fatos.
Francisco, que tinha como principal hobby a fotografia, fotografou todo o terror do que ocorreu naquela noite. Além disso, a fita que foi engavetada pela justiça mostra Francisco narrando os horrores vividos por ele e pelos moradores de Sangre de Cristo.
Francisco é o alvo fácil. Imigrante ilegal, introvertido, e com hábitos estranhos de tirar fotos de bichos mortos e de crianças, filhas de uma família da qual era amigo íntimo, a polícia e principalmente uma grande parcela da população branca das cidades próximas, mesmo que a situação não faça sentido algum. Um homem franzino e com histórico negativo de violência simplesmente destroçou cerca de 57 pessoas, sumiu com alguns corpos e tudo isso em apenas UMA noite? A coisa piora quando se analisa o perfil de alguns dos mortos, homens maiores, mais fortes, armados e excelente atirando, mas que não conseguiram abater um homem de porte muito menor e armado de uma câmera fotográfica e uma picareta.
O mais interessante nesse filme é essa forte ligação com a realidade em que as figuras oprimidas quando denunciam crimes ou passam por situações de questionamento são rapidamente condenadas. Ou melhor ainda, gozam de suporte de todos quando não fazem nada mais que sua obrigação.
O racista pede desculpas e todos batem palmas, o padrão está namorando uma pessoa gorda, nosso obrigado senhor Padrão, você é realmente muito necessário para a comunidade. Nossa, olha o branco falando que racismo é errado, o hétero falando que homofobia é ruim, e todos os aplausos são dados para essas pessoas. Acho que o pior é que sinceramente, nada me tira da cabeça que certas figuras acham que MERECEM a atenção, o suporte e as glorias por fazer o mínimo e as vezes nem isso.
Homem que ajuda na casa não está fazendo mais que a obrigação.
Padrão/Magro que tem relações com pessoas gordas, seja romântica ou só sexual, também recebe benefícios da relação, as vezes só ele recebe inclusive, então não merece aplauso.
Branco que é antirracista, entenda, você faz isso pela comunidade, não para o seu ego.
E entendam uma coisa minoria, você pode até ter seu dia de população branca acusando Salazar, mas você N U N C A vai deixar de ser Salazar e um dia a sociedade vai te mostrar isso. Nesse momento é melhor que você esteja com os outros Salazar, porque ninguém tem obrigação de socorrer traidor da causa.
C’est la vie bitches