Esse é um texto que nasceu de uma situação totalmente inusitada. Estava eu rodando na internet quando me deparei com gente de outros países falando sobre o filme. Achei que seriam comentários sobre o filme ser legal ou coisa do tipo, mas somado a eles tinha um pouco mais que isso. A principal discussão sobre esse filme era:
É um filme muito engraçadinho, mas não existe mundo em que o boy padrão daquele fique com um gordo como aquele.
Na boa, eu tive que dar uma risadinha disso sabe, porque isso fala muito sobre como relacionamentos são conduzidos na sociedade.
Eu nem precisaria ver o filme para trazer o meu ponto, mas cedi a curiosidade e assisti ao filme. Bom, não é um excelente filme, mas também não é ruim, acho que cumpre seu proposito como uma comédia romântica, mas achei pontos que apesar de serem tocados de maneira mais superficial, são super válidos de comentar.
Bom, dito isso vou dividir os pontos que quero comentar em tópicos, mas primeiro… vamos a sinopse. Baseado em um livro de mesmo nome, Quinze dias é sobre Felipe, um jovem gay e gordo que passa por poucas e boas por conta de seu peso. Com a chegada das férias o que ele achou que seria o seu paraíso do isolamento, se torna um pesadelo quando o filho de vizinha, Diego, precisará ficar em sua casa por 15 dias. O que inicialmente era uma convivência ruim, vai aos poucos se tornando algo mais.
Sinopse pronta, vamos aos tópicos, podemos?
Tópico um – O impacto da homofobia
Geralmente filmes com uma pessoa fora do padrão e outra no padrão sempre focam muito na questão do amor próprio e afins, mas nesse caso o filme também tem uma situação com a homofobia. Diego e Felipe eram amigos na infância quando frequentavam a piscina do prédio onde moram, mas devido ao bullying por ser gordo, Felipe acaba se isolando, enquanto Diego nunca deixou de simpatizar com o amigo. O que notei no filme é que Diego gosta de estar com Felipe principalmente porque tanto o amigo quanto a mãe dele criam um ambiente seguro para ele poder ser quem ele é de verdade.
Em vários momentos o filme ressalta o quão a homofobia da mãe de Diego é uma opressão que destrói qualquer chance de ele poder ser o homem gay que ele quer ser. Por conta disso, Diego é também um jovem inseguro, pois teme sofrer com a homofobia e isso o impede de poder viver o romance com Felipe da maneira plena que ele mesmo deseja viver. Acho que isso por si só já é algo que colabora muito para nascer uma relação amorosa.
Tópico dois – O filme é muito mais sobre a insegurança como um todo e deixa isso claro
Bom, o filme não é do tipo que cria morais profundas através de minucias gente. A mãe sofre com o abandono no encontro, a amiga lésbica padrão que não consegue entrar na piscina por conta das marcas que tem nas costas, até mesmo a mãe de Diego que oprime o próprio filho por medo de ele sofrer na rua por homofobia. O filme aborda diferentes tipos de insegurança e como cada pessoa lida com ele de variados jeitos, alguns saudáveis, outros nem tanto. No fim o casal principal ajuda um ao outro a lidar de uma maneira melhor com as inseguranças que o assombram.
Tópico três – Diego é alguém que sabe o que é opressão
Sério, ter que explicar essa chega a ser meio ofensivo. O garoto é atochado no armário a chutes e pontapés pela mãe, ele é o tipo que por saber o quão ruim é isso ele não faz com os outros. Tanto que o motivo para se afastar de Felipe é por não saber como se aproximar novamente. A forma física nunca entra em questão para ele, porque por ser obrigado a se esconder, ele quer ver o que as pessoas têm a oferecer.
Agora que trouxe esses tópicos posso entrar no principal, aquele que me fez fazer esse texto, um grande chá de revelação para as pessoas, uma boa lição que pode ajudar muito para quem compreender.
TÓPICO PRINCIPAL – O MOTIVO PELO QUAL AS RELAÇÕES DE UMA GALERA NUNCA DURA
É galera, vocês ficam aí se perguntando porque suas relações não duram, falam que não existe pessoa para você, mas será que você se permite conhecer as pessoas? Primeiro vou jogar na roda uma coisa que vocês podem questionar o quanto quiser, mas pessoas padrões aparecem na vida de pessoas não padrão querendo desde sexo até mesmo relacionamentos, vocês que juram que não porque não saem de casa e vivem na internet vendo fotos de festas e eventos ou frequentam sempre os mesmos bueiros em que olham para as mesmas caras tentando se passar de boazuda da balada.
Vocês criam bases tão patéticas de relacionamento, baseado em trepadas e no que os outros vão falar da pessoa que está com você que esquecem que relacionamento é INFINITAMENTE mais do que isso. Ao invés de viver na idealização, saiam de casa, conversem com pessoas, tentem criar um laço que seja além de conversas superficiais. Pessoas são diversas, beleza é relativo e a vida é uma só para ficar preocupado com o que vão falar do meu namorado/namorada, se essa pessoa te faz bem, por que diabos ligar para a opinião alheia?
O que eu mais vejo em pessoas solteiras querendo um relacionamento é isso, a procura de alguém perfeito em tudo e surpresa, você NUNCA vai achar alguém que está só nos seus sonhos de pessoas ideais. Converse com sua pessoa amada, aprenda a lidar com o que é ruim e apreciar o que é bom, independente de como é a aparência dessa pessoa. Acho que eu, que estou em QUATRO relacionamentos, talvez saiba uma coisa ou outra sobre isso, não é mesmo?