Esse texto eu escrevo especialmente para as pessoas que não sabem bem o que são ideias de esquerdas socialmente falando. Sabe aquele seu amigo que não quer saber de política e que não é nem de direita e nem de esquerda é de para frente? Ou aquele que não quer discutir política e que faz questão de não entender nada do que seja? Pois é, se você for assim e estiver lendo isso aqui, por favor não fecha esse texto e faz um esforcinho para continuar comigo até o fim! Prometo que vou tentar deixar essa leitura a mais prazerosa possível.
Primeiro, quem é Yi Zaha, Marcos? Yi Zaha é o protagonista de um quadrinho coreano chamado “O Retorno do Demônio Louco”. A história segue este personagem que ao cair do barranco com um poderoso artefato acaba voltando sua consciência para o passado, no dia em que sua vida mudou. Nesse dia ele teve sua estalagem queimada por lutadores marciais e passou a treinar para se tornar mais forte, porém no processo ele acabou enlouquecendo, o que levou ao fim que temos inicialmente.
Agora com a consciência e também a força não só do artefato como também a que já tinha como artista marcial, Zaha vai tentar mudar não só o seu destino como de alguns outros que conheceu pela vida.
Apresentado o nosso personagem principal, hora de mostrar porque ele é um ótimo exemplo para algumas ideias de esquerda e como elas seriam se pudéssemos coloca-las na prática.
Defesa do proletariado: Yi Zaha antes de se tornar um poderoso artista marcial era um simples empregado em uma estalagem. Agora que se tornou extremamente forte, ele decidiu que protegeria a classe trabalhadora acima de qualquer coisa. Nos lugares que ocupa com sua seita, a seita Hao (Nome usado por uma seita que é composta por párias da sociedade), Zaha destrói grupos que exploram o trabalhador para enriquecimento, toma dinheiro desses lugares e faz distribuição. Seus liderados são quem estão policiando o local, mas sempre visando defender os cidadãos locais que não são capazes de se defender. Não mexa com o trabalhador, o demônio louco pode ir atrás de você.
Distribuição de Renda: Como dito anteriormente, Zaha destrói seitas e grupos que enriquecem explorando o proletário e toma toda sua riqueza fazendo uma distribuição justa para que o proletariado possa trabalhar sem passar por miséria. Como não cobra taxas de proteção, o dinheiro dos negócios é em boa parte para o trabalhador. Como atualmente ele enriqueceu a ponto de não precisar de dinheiro pelo resto da vida, ele usa seu dinheiro para auxiliar aqueles que querem trabalhar, gerando empregos com essas iniciativas.
Investimento na ciência: O líder da seita Hao é muito amigo do médico e perito em venenos doutor Moyong. Em meio uma das crises, o doutor recebe verba ilimitada para fazer a pesquisa de algo para reverter o vício em um narcótico usado para chantagear artistas militares. Para além de estabelecimentos, Zaha acredita na ciência e no seu potencial de salvar vidas, inclusive na saúde mental se consultando sempre com o Doutor para manter sua sanidade.
Ressocialização de Criminosos: Esse é um dos tópicos mais espinhoso quando se fala de políticas sociais. Acredito inclusive que muita gente que é de esquerda tem opiniões controversas a respeito desse assunto. Quando convocado para lutar contra dois grupos de bandidos que se uniram para tomar o poder de uma área, Yi Zaha derrotou sem deles com apenas um golpe. Com isso boa parte dos restantes se rendeu e Zaha ficou de vigia dos prisioneiros. Como ele é absolutamente louco, ele decidiu ter uma longa conversa onde falou sobre como os crimes cometidos por eles estavam destruindo famílias e trabalhadores, pessoas que já tinham que lutar por sua sobrevivência e agora tinha que lidar com as agressões dos bandidos. Mas é agora que vem o pulo do gato, dos prisioneiros restante, Yi Zaha prometeu que se eles quisessem levar vidas honestas a partir daquele momento ele faria tudo em seu poder para ajuda-los a saírem da vida do crime. Um grande grupo aceita a proposta e quando Zaha volta ao quartel general de seu grupo, um nobre decide que irá prender todos os prisioneiros. Nesse momento ele poderia só ter deixado ocorrer, mas ele prometeu ajudar aquelas pessoas a terem uma vida digna e por isso se colocou contra o nobre e em defesa dos ex criminosos incorporando ao seu clã, algo tido como degradante e digno de repulsa por boa parte da sociedade. Aqueles homens não se acham dignos de ter um defensor tão bem-intencionado e ao serem ressocializados na sociedade, agora levam vidas decentes juntamente ao clã Hao.
Repúdio ao Acúmulo de Riquezas: Como eu disse anteriormente Zaha é muito rico, mas não pense que sua riqueza é guardada a sete chaves. Todo o dinheiro que ele tem sempre tem um destino prioritário: A Seita Hao. Os salários dos homens que fazem as patrulhas, auxílios financeiros para quem precisa de algo, até mesmo para pagar por prejuízos que causa em suas lutas a estabelecimentos, por vezes pagando mais do que era necessário. Em certa ocasião em que um personagem diz querer acumular riquezas, ele repudia e diz que jamais desejará ser um rico como ele. Ou seja, sua riqueza é do seu povo e para o seu povo.
Bom, essas são algumas das coisas que queria pontuar a respeito dessa grande e divertida obra. Mas acho que o mais importante nisso tudo é dizer que apesar de suas ações em vários momentos serem dignas de nota, Zaha não é o que você pode chamar de herói. Ele mata, envenena pessoas com laxantes, tortura adversários dentre outras coisas tidas como “coisas de vilão” e é essa parte mais interessante. Ser de esquerda não me faz o “herói do bem”, ser de esquerda é porque defendo minha classe e se precisar pegar em armas, eu provavelmente vou pegar. Se precisar matar uns burgueses para a revolução vai ser exatamente o que vou fazer, porque o amanhecer da revolução é meu maior desejo.
Ser de esquerda não é sobre bem ou mal e sim sobre defender seu lado de pessoas que querem te explorar e arrancar tudo o que puderem de você.