Dia do Orgulho! Nunca mais sinta vergonha!

No dia 28 de junho é celebrado mundialmente o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, uma data estabelecida para lembrar a Revolta de Stonewall, ocorrida em 1969, em Nova York, quando os frequentadores daquele bar, cansados da opressão do Estado e da polícia, começaram a se mobilizar na luta pelos direitos e pela visibilidade da causa LGBTQIAPN+. Na verdade, foi uma luta pela vida, pela sobrevivência, e não pela militância vazia que temos visto hoje, muitas vezes baseada apenas em pink money e pinkwashing.

Mas devemos entender duas coisas importantes ao abordar esse assunto. A primeira é que parte da responsabilidade por essa situação atual também é da própria comunidade, que, no Brasil, não é e nunca foi uma comunidade de fato, mas sim um aglomerado de pessoas em busca de sobreviver, aparecer, se divertir, fazer sexo, entre outras coisas. Em segundo lugar, é importante compreender que a palavra “orgulho” não significa sentir orgulho por ser LGBTQIAPN+ em si, pois isso não é mérito nem conquista de ninguém. Orgulho é não sentirmos vergonha de sermos quem somos; é poder existir da forma como somos.

Assim, tenha orgulho da pessoa que você é, das coisas que faz, do seu estudo, do seu trabalho, da sua formação, do seu caráter e, enfim, das suas escolhas. E nunca mais sinta vergonha de ser uma pessoa LGBTQIAPN+. Não se esconda mais, embora muitas pessoas ainda precisem se esconder: algumas para obter vantagens, sejam financeiras ou emocionais; outras por medo de sofrer violência ou até mesmo perder a própria vida.

Nossa luta é para que todas as pessoas LGBTQIAPN+ não tenham vergonha de serem quem são, da mesma forma que nenhuma pessoa heterossexual, seja um homem cis ou uma mulher cis, sente vergonha ou medo de ser quem é ou de dizer às outras pessoas que é heterossexual. Aliás, elas nem precisam contar nada, explicar nada ou se preocupar com isso. Nós, pessoas LGBTQIAPN+, infelizmente ainda precisamos.

Neste dia 28 de junho, eu comemoro o fato de não ter vergonha de ser quem sou e da vida que levo. Comemoro conseguir pagar o preço das minhas escolhas e continuar sendo quem sou — um preço que nunca é baixo. São muitos os “nãos” que recebi e ainda recebo, assim como também foram muitos os “nãos” que eu disse e continuo dizendo, por honestidade e por ter vergonha na cara.

Também tenho orgulho do trabalho que realizo e gostaria que ele fosse ainda maior. Porém, diante da realidade do nosso país, fazemos o que está ao nosso alcance. Tenho muito orgulho das pessoas LGBTQIAPN+ e também dos nossos aliados que fazem parte do Instituto Pró-Diversidade.

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