Ao olhar para o ano passado, há muito o que comemorar: em 2025, o Brasil vivenciou avanços importantes na luta pelos direitos da população LGBTI+, fruto de mobilização social, política pública e reconhecimento institucional. Um importante marco foi a retomada do Comitê Técnico Nacional de Saúde LGBTI+, órgão que havia sido extinto em 2019, durante o desgoverno, e que voltou a orientar políticas públicas de saúde específicas para pessoas LGBTI+ no SUS, ampliando acesso e inclusão no sistema de saúde.
Outro ganho significativo foi a realização da 4ª Conferência Nacional LGBTI+ em Brasília, reunindo mais de 1.500 pessoas para debater e construir propostas de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos e à igualdade de gênero e orientação sexual no país. Esse espaço nacional de diálogo fortaleceu o movimento e contribuiu para que estados e municípios promovam suas próprias conferências, consolidando uma rede de participação social em defesa dos direitos LGBTI+.
No ano passado também se destacou a presença massiva da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, considerada uma das maiores do mundo, que não só celebrou diversidade, mas também colocou no centro do debate temas como envelhecimento e visibilidade da comunidade LGBTI+, assunto geralmente marginalizado na comunidade.
Além disso, o Brasil reafirmou seu compromisso internacional ao aderir declaração global em favor dos direitos LGBTI+, junto com outros países, reforçando a promoção da diversidade e o combate à discriminação em âmbito internacional.
Esses avanços mostram que, mesmo diante de desafios sociais, tais como a persistência de preconceito e resistências políticas, houve conquistas institucionais e simbólicas que ampliaram a participação, a visibilidade e a proteção de direitos para a população LGBTI+ no país.
Porém, dificuldades ainda persistem. Por exemplo, a dificuldade em manter união e coesão dentro do movimento LGBTI+, no Brasil, pode ser explicada pela própria diversidade que compõe o grupo. O movimento reúne pessoas com identidades, orientações sexuais, gêneros, raças, classes sociais e religiões muito diferentes, o que gera demandas e prioridades distintas. Enquanto alguns grupos lutam por reconhecimento legal, outros enfrentam urgências ligadas à sobrevivência, como violência, pobreza e acesso à saúde.
Além disso, há desigualdades internas, como o racismo, a transfobia e o elitismo, que reproduzem dentro do movimento opressões presentes na sociedade em geral. Disputas políticas e ideológicas também dificultam a construção de pautas comuns, enfraquecendo a ação coletiva. A falta de representação equilibrada de pessoas trans, negras e periféricas é outro fator que gera tensões.
Assim, embora o movimento LGBTI+ tenha conquistas importantes, manter unidade exige diálogo constante, escuta e reconhecimento das diferenças, para que a diversidade seja uma força, e não um fator de fragmentação.
Adentro diretamente no multiverso dos ursos, o preconceito contra bears (homens gays, geralmente peludos e com corpos fora do padrão magro) dentro da própria comunidade LGBTI+ revela como normas sociais de beleza também atuam em grupos historicamente marginalizados. Mesmo em um movimento que defende a diversidade, ainda há a valorização de um ideal corporal específico, associado à juventude, magreza e masculinidade padronizada.
Os ursos, por não se encaixarem nesse modelo, muitas vezes sofrem gordofobia, estigmatização e exclusão, inclusive em espaços LGBTI+, como festas, aplicativos e meios de comunicação. Isso demonstra que o preconceito não desaparece automaticamente com a vivência da discriminação, mas pode ser reproduzido internamente.
Além disso, essa exclusão afeta a autoestima e o sentimento de pertencimento desses homens. Vocês acreditam que a grande maioria das redes sociais LGBTI+ simplesmente ignoram a história e a bandeira ursina? Raramente inserem a bandeira junto às demais letras e siglas, o que revela descaso com a existência de importante grupo.
Assim, compreender o preconceito contra os ursos é fundamental para refletir sobre como a comunidade LGBTI+ precisa aprofundar suas práticas de inclusão, reconhecendo que a luta por respeito também envolve corpos, aparências e modos diversos de existir e amar.