Pensando no tema do texto deste mês, escrevendo e apagando mil vezes diversos temas, resolvi ler textos antigos para procurar alguma inspiração. Foi aí que achei minha pasta de reflexões do distante ano de dois mil e dez, de uma Renata no fim do Ensino Médio.
Dentre eles, tinha um chamado Destino e mesmo com uma estrutura mediana, resolvi trazê-lo na íntegra para conversarmos um pouco sobre as brincadeiras do destino.
“Não há, de forma alguma, como fugir do destino. Não há como enganá-lo. Só nos restando uma única opção que é a de aceitá-lo, mesmo contra a nossa vontade. Ele não está escrito em nenhum lugar, não é um livro – onde tudo é marcado –, mas não se pode apagá-lo. Tudo que fazemos já sabíamos que ia acontecer, mesmo as coisas ruins, pois concordamos com tudo antes de virmos a existir.
Você pode não crer nele, falar que é besteira, que tudo na vida acontece por acaso e que às vezes temos sorte. Mas eu digo que se você acha isso é porque o destino quis. Quem fala “Faça isso porque é seu destino” não é para ser ouvido nesse momento, pois ninguém sabe qual é seu destino, nem você mesmo.
Até eu, não sei nem por que estou falando sobre isso, será meu destino? Não sei e nem quero saber. Também não ligo se não quiser me ouvir ou se me achar uma boba por falar isso. É apenas minha opinião e não um texto dissertativo feito para você concordar comigo e crer que falo a mais pura verdade. Eu tenho minha vida e meu modo de ver o mundo e você é você e não eu.
Seria muito errado falar para não para não fazer algo senão sua vida dará errado. Não tenho esse direito, pois e se eu estiver errada ao argumentar isso? Há coisas que só se aprende vivendo e é esse o ciclo natural das coisas! Para mim, a única coisa certa é seguir o coração, fazer coisas que te fazem bem e não o que faz bem somente ao outro.
Apesar de tudo o que disse, só falarei uma coisa, que meu caro leitor pode falar que estou contrapondo minha idéia: Se você é estudante , por favor, não mostre alguns trechos deste texto ao seu professor para poder explicar o motivo de ser um aluno não muito exemplar, se não ele me matará mentalmente ou até fisicamente. Pronto, falei.”
Tatá 2010
Bonitinho, não? A melhor parte está no “Pronto, falei” como se fosse algo afrontoso e achando que por algum motivo os professores iam ficar muito bravos comigo. Agora, lá em cima disse que esse texto é o próprio destino brincando comigo. Motivo? Bem, atualmente além de quadrinista, ilustradora e escritora, sou oraculista e professora… Isso significa que posso agredir a Renata adolescente? Acho melhor não.
Esse texto também tem grande carga da doutrina Kardecista, a qual eu seguia na época. Vem com um tom punitivista e de conformidade, o qual graças aos deuses não vejo mais desta forma. Acho melhor a teoria Doctor Who, na qual tem pontos que não podemos mudar (como a morte), agora o caminho que você fará até chegar no seu destino é livre!
Então, se é livre, o que uma oraculista faz? Lê como está seu caminho de acordo com as escolhas que você vem fazendo. Caso você veja seu mapa astral, por exemplo, o que está escrito ali são coisas que você tem mais propensão a fazer, mas a escolha de deixar fluir para esse lado ou se esquivar, é somente sua.
E você? Tem reflexões de quando era mais novo? Elas se tornaram brincadeiras do destino ou são desabafos? O você de hoje surpreenderia o você do passado?
Foto de capa por Nikolina de Pexels.