Se não tem acolhimento não é exatamente uma família

Ultimamente, tenho recebido muitos relatos sobre os desafios de pertencer a uma família homofóbica. Estamos falando de adolescentes, e até mesmo adultos com mais de 30 ou 40 anos, que ainda são surpreendidos por ataques diversos no ambiente familiar. Proponho algumas reflexões e atitudes!

O primeiro problema é acreditar que sua família não vai te aceitar. É doloroso. Assim como para você mudanças são desafiadoras, para alguns de seus familiares, mudar para aceitar não é uma opção, infelizmente. Como podemos ver em alguns filmes, é preciso ocorrer uma grande tragédia para acontecer o arrependimento e a mudança. Ou seja, você tem que morrer para ser aceito? Se não é aceitável perder a saúde mental por causa de parentes homofóbicos, imagine perder a vida!

Acredito possivelmente que nem todos os seus familiares sejam agressivos. Mas, daí, vem o segundo problema. Há geralmente três tipos de familiares para os LGBTIs:

Aqueles que não tem pudores de serem agressivos e homofóbicos, que não tem medo de hostilizar, que não tem medo de cometer crimes – cuidado!

Mas, também há outro tipo: aqueles que não agridem, não ofendem, dirigem a palavra até você. Porém, não te convidam para festas de aniversário quando estão com os amigos, não desejam sua presença. Mantém uma distância que faz com que eles acreditem que estão sendo respeitosos – quando na verdade estão menosprezando, mantendo a conveniente distância para se resguardarem de possíveis acusações de abandono – que é o que fazem, muitas vezes.

Há aqueles que desejam de você os estereótipos. Ou seja, querem sua presença para você fazer o papel tradicionalmente atribuído aos LGBTIs: ser engraçado, fazer palhaçada, dançar as músicas da moda e da cultura LGBTI+. Mas, quando você precisa convocá-los para ajudar a comunidade queer, eles estão ocupados, não tem tempo, não querem se envolver com MIMIMI ou política. Amigos desleais.

Mas, há esperança. Existem pessoas – dentro e fora da sua família – que estão dispostos a acolher. O desafio é compreender com clareza o que é acolhimento. Quem te acolhe aceita, entende, quer ter você do lado por quem você é. Essas pessoas não te tratam apenas com cidadania e civilidade. Elas, tal como corujas acolhedoras, abrem as asas e demostram diariamente que sua presença é querida, amada e respeitada. Elas não têm medo de seguir suas mídias sociais, curtir e compartilhar. Fazem você se sentir em casa, na casa delas.

O segredo é manter-se próximo de quem te acolhe. Elas entenderam o tamanho da sua solidão. Seja alegre, grato e amistoso por ter esse acolhimento e aproveite da melhor forma possível.

Para aqueles que só te querem como animador de festa, se pergunte se estar em meio a eles te faz bem. Se questione o quanto de energia você gasta nessas relações que não são saudáveis.

Sobre os familiares que desejam manter a distância – aproveite para refletir: você realmente precisa submeter sua saúde mental a essa situação? Você precisa da aprovação dessas pessoas para você ser quem é? Cuide-se mais! Valorize-se! Aprendi isso em Minas Gerais: não seja figurinha fácil.

Por fim, contra aqueles que não tem medo de cometer crime de homofobia: distância. Tenha sempre o celular carregado em mãos – para você provar sua versão. Evite ficar sozinho com agressores em potencial. Sua casa é seu castelo. Logo, se proteja. Manter uma rede de sociabilidade saudável é uma garantia de proteção, também.

 

Imagem de capa por Adrien Olichon via Pexels

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