A noite de ontem foi de pura emoção e surpresa no Oscar! “Ainda Estou Aqui”, um filme que tocou o coração de tantos, levou para casa a estatueta de Melhor Filme Internacional.
A vitória depois da campanha e do sucesso do filme lá fora era meio que esperada apesar de concorrer com grandes produções, como o até então favorito “Emília Perez” que foi ficando para trás graças as polemicas da sua protagonista, e das 13 indicações ganhou apenas 2, canção e atriz coadjuvante.
Fazia muito tempo que não éramos indicados, desde 1999 para ser mais preciso (Cidade de Deus teve 4 indicações, mas nenhuma em filme internacional, além de indicações em melhor animação e melhor documentário em outros anos) , mas ao contrário das outras vezes a história terminou com um final feliz, ainda que ficamos com um gostinho de quero mais em outras categorias (leia-se melhor atriz).
A grande surpresa da noite foi o filme “Anora” que estava concorrendo em seis categorias e conquistou cinco estatuetas, inclusive venceu a categoria a qual os brasileiros estavam aguardando ansiosamente, a de melhor atriz. A disputa era tida como acirrada: de um lado, também havia Demi Moore por A Substância; de outro, estava Fernanda Torres por Ainda Estou Aqui, que haviam vencido os prêmios de atuação no Globo de Ouro. E correndo por fora Mikey Madison que venceu o Bafta.
E assim como em 99, o Oscar premiou uma atriz jovem com potencial, mas com uma atuação não tão boa quanto a de suas concorrentes e que segundo especialistas precisa amadurecer mais para fazer jus ao prêmio. A grande ironia é que ao premiar a atriz de 25 anos o Oscar fez aquilo que o filme “A substância” critica, escolher uma mulher mais jovem em vez de uma mulher com mais idade.
Pode parecer um etarismo e talvez seja mesmo, já que desde que o mundo é mundo quando se chega uma certa idade o trabalho vai ficando escasso e muitos vão preferir alguém mais jovem para a sua função. Nada contra Madison que pode vir a ser uma excelente atriz, e como a própria Fernanda Torres disse quando sua mãe foi indicada “A gente sabe exatamente como é o Oscar, é a festa da injustiça acho.” E isso resume bem o nosso sentimento. E ao não premiar nomes como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Demi Moore e outras veteranas, quem perde é o Oscar.