O papel da gestão escolar no combate ao racismo

De tempos em tempos vemos, nas redes sociais, escolas sendo desnudadas sobre a ineficácia operada frente ao combate ao racismo dentro de seus muros.
Mal começaram as aulas e uma grande escola particular em São Paulo teve de suspender 34 alunos por racismo, homofobia e bullying, perpetrado contra colegas de sala.
 
Como sempre, imperam as perguntas:
Qual o papel dos pais ao entregar celulares aos seus filhos? Infelizmente é inegável a sobrecarga dos pais para administrarem seus trabalhos e lares. Porém, ao terem filhos e filhas, vem as responsabilidades. Muitos pais comprovadamente entregam os telefones e tablets nas mãos dos jovens para se livrarem, mesmo que temporariamente, da atenção deles. Isso é ruim. Os pais, tutores e responsáveis não estão conferindo como os filhos usam a tecnologia. Como professor e orientador de Programa de Mestrado, tenho ouvido relatos assustadores de colegas professores do ensino médio e fundamental: os jovens não usam o celular para bater papo ou seguir celebridades. Estão acessando redes de pornografia na escola e os pais não aceitam ao ouvirem esta denúncia, como se realmente não ligassem para o grande problema que isso acarreta.
Qual o papel da gestão escolar? Esse problema nos parece ser o mais grave. Muitos pais querem instrumentalizar os jovens, mas não sabem como; muitos professores desejam debater esse problemático assunto em sala de aula, mas, raramente acontece. Pois, sem a preparação, organização e aplicação de atividades e recursos por parte da gestão escolar, todo o trabalho será perdido. 
 

Professores de escolas públicas e particulares tem relatado que não podem debater o problema do racismo, da homofobia e do bullying, em sala de aula, pelo fato da gestão considerar desnecessário. E quando a gestão da escola entende a importância, não prepara, não treina, não oferece recurso e, simplesmente, joga tudo nas mãos dos professores e professoras. Quando um pai se incomoda ao saber que um professor está ensinando e explicando o que ele ou ela poderia ter ensinado em casa, mas não o fez, revelando as ausências na educação dos jovens no ambiente doméstico, se irritam.

Ou seja, os professores e professoras ficam de mãos atadas. São cobrados, questionados, mas não são ouvidos. Honestamente, meus caros leitores e leitoras, me parece muito arriscado trabalhar, e matricular jovens, em uma escola na qual a gestão não vê importância em dedicar tempo para preparar nossos estudantes para uma sociedade complexa, repleta de perigos, mas, que podem ser evitados pelos estudos da justiça, cidadania e direitos humanos.

Temos que treinar e preparar os gestores e gestoras escolares!

Pensando esta temática fora da área da educação e adentrando na gestão de pessoas e gerenciamento de carreiras, os professores que são contratados como gestores escolares precisam entender a importância de seu cargo. Não é somente um salário a mais; de modo algum deveria reproduzir os desmandos tão visíveis em empresas e organizações; não é sua fazenda particular para disseminar assédio moral e sexual… Os gestores precisam entender que trabalham com pessoas, devem se formar para instrumentalizar; precisam entender os desafios dos problemas e como resolvê-los diante da demanda do público interno e externo de seu ramo de negócio – sim, pessoal, a escola é um negócio!
 
Vamos proteger nossos jovens treinando nossos gestores!
 
Foto de capa por Foto de RDNE Stock project de Pexels.

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