Quando mergulhamos de mente aberta nas páginas deste romance gay espiritualista e nos entregamos a acompanhar os conflitos internos e externos dos seus personagens que são revelados ao longo dos seus capítulos, deparamo-nos com um tema recorrente e controverso que basicamente norteia o enredo desta obra e que vem a nos convidar a refletir como a sua existência interfere diretamente na vida dos seus personagens e, consequentemente, nesta história fantástica: a reencarnação da alma!
Nesta história a obrigação que as almas possuem de retornar ao Mundo Material para nele nascer, cumprindo assim a lei do progresso, é destilada em suas páginas e seu tema central, a evolução espiritual, é repetida ao longo da sua história. Segundo o livro, a que estamos vivendo agora não é a única vida que nos resta. E apesar do que dizem, as nossas almas sobrevivem após a morte do nosso corpo físico, porém, com a necessidade, ou compromisso, de retornar ao Mundo Material em busca de novas experiências que as completem e também, atrás de remissão ao pagar pelos nossos erros do passado distante.
O romance evidencia já no seu primeiro capítulo, o compromisso pré-existente entre os dois personagens principais mesmo antes que os dois viessem e nascer na existência contada nessa história repleta de conflitos e descobrimentos. Uma cena que quase passa desapercebida pelos leitores menos atentos, mas muito necessária e que só será evidenciada na sequência que está prestes a ser publicada.
No livro, essa mesma reencarnação traz e é responsável por despertar uma vaga lembrança que um possui do outro, mas que os personagens não conseguem explicar ou entender. No entanto, esta “sensação” que eles carregam na alma de que “um já havia conhecido o outro” os impele a querer se conhecer melhor e acaba se tornando a espoleta do amor arrebatador que explode no coração de Max e Carlos sem que os mesmos tenham forças para negar esse sentimento tão profundo, mesmo que a consciência homofóbica dos dois “condene” esse relacionamento. Tal amor vem a ser apoiado por dois grandes amigos de “Carlos”, amizade e admiração, que posteriormente se prova ser anterior a vida atual contada nesta obra. Em suma, no livro a reencarnação demonstra ser uma ponte entre as almas que o Espírito carrega consigo e que, a cada novo nascimento na Terra, torna a amizade entre eles ainda mais forte.
Segundo essa teoria, em uma futura reencarnação, os inimigos poderão se reencontrar como irmãos de sangue para que o amor familiar ajude a apagar as chamas de ódio que os havia separado, ou o rico, egoísta, retorne pobre e dependente da ajuda das mesmas pessoas que ele mesmo desprezou um dia e humilhou com a sua posição social… A espiritualidade é misteriosa, mas perfeita! Somente com esta ideia em mente podemos responder as perguntas que as religiões, que afirmam serem donas da verdade, não conseguem responder: Aonde está a justiça de alguém nascer abastado e o outro sem o mínimo para a sua sobrevivência?
Sabendo que teremos que retornar ao Mundo Material para obter todas as experiências possíveis, temos a certeza de que, em um determinado momento, também voltaremos ricos, porém devemos saber que essa é a prova mais perigosa para a alma humana que ainda tem o egoísmo enraizado em sua alma. Devemos manter sempre em mente que os erros e os acertos em vidas passadas acabam interferindo na vida atual já que temos que, além do arrependimento sincero, reparar os danos feitos a outrem em vida mesmo que não saibamos quando ou com quem isso acontecerá.
Cabe a mim ressaltar que o conceito da reencarnação é antigo e que podemos observá-lo nas culturas ao redor do mundo e, ao longo dos tempos, nas religiões antigas. Apesar de ser negada pela Igreja Católica após o Concílio de Constantinopla quando a ideia da reencarnação foi rejeitada, e pelos Templos Evangélicos, a reencarnação prossegue sendo importante para as crenças espiritualistas de matriz africana como o candomblé ou umbanda, entre outros, e que é a base para o Espiritismo codificado por Allan kardec que se baseia na pluralidade das existências. Ela também é parte importante no Hinduísmo, no Egito Antigo, na Grécia antiga e entre outras culturas.
Cabe ao leitor decidir se acredita em tal teoria ou não, mas com certeza a reencarnação, que faz parte da lei de progresso, nos soa mais em acordo com a justiça infinita de Deus, fornecendo a todos a oportunidade de passar por todas as posições sociais e, por misericórdia divina, de ter a chance de resgatar seus erros cometidos em outras vidas. Afinal, as eras passam, mas o Espírito continua vivo, se transformando com os conhecimentos que ele mesmo adquiriu e que carrega em sua alma durante as suas idas e vindas ao nosso Mundo Material, a Terra!
Respostas de 2
Se tornou um dos meus livros favoritos. A história dele meio que nos faz entrar no mundo da história que ele conta
Obrigado!!