Estava em casa aproveitando esse feriado de carnaval e fui fazer o que sempre faço, assistir clipes no Youtube. Mas como estava na conta do meu marido o algoritmo ficava me indicando vídeos de pessoas reagindo as falas da Maya Mazzafera e eu fiquei pensando como não chegou isso na minha bolha?
Bem para quem estava em Nárnia ou não acompanha o mundo dos influencers digitais, a polêmica envolvendo Maya Massafera ganhou grande repercussão devido à forma como ela associou preferências estéticas a classes sociais, gerando acusações de preconceito e gordofobia.
Ela não só teve coragem de falar e postar, como disse que é uma coisa com embasamento que ela aprendeu na melhor faculdade de moda do mundo na Itália onde se formou.
Tudo começou quando um fã questionou, por meio das caixinhas de perguntas do Instagram, se Maya não achava que “estava muito magra”. A influenciadora respondeu que não achava e disse que: “no mundo da moda, a gente gosta de mulher muito magra”.
Até aí tudo bem, afinal a moda prioriza corpos magros e ainda que venha mudando com o passar dos anos, é um fato a questão de a magreza ser associada a beleza e elegância. A youtuber e influencer digital citou uma supermodelo para reafirmar que é o jeito que gosta e se sente bem: “É gosto. Tem gente que gosta de mulher mais sarada, de mulher gorda. Eu acho mais bonito mulher magra. A modelo Kate Moss falou: ‘Não tem sensação melhor do que sentir-se magra’. Você tendo saúde e se cuidando, é do jeito que você gosta”.
Depois “reclamou” da pressão que sofre da família para engordar um pouco e aí que as coisas começaram a entornar, pois, gente mais simples como a avó dela gosta de gente mais cheinha, enquanto a Elite, moda, gostam de gente mais magra.
Maya gravou um outro vídeo e vários comentários falando do seu corpo magro e muitos destilaram ódio gratuitamente (transfobia) e a influencer aproveitou para responder os “haters” e ensinar que pessoas ricas, que entendem de moda e fazem parte da elite, têm o costume de ser magras e de gostar de corpos magros, enquanto pessoas “simples” preferem corpos gordos, devido à baixa condição financeira.
“Gente rica ou francesa, que entende muito de moda é apaixonada por magreza, então assim, eu não estou nada magra para eles ou para brasileiros da elite. Agora gente mais simples vai me achar magra, é normal desde que a história é história”, iniciou.
E depois ela continua explicando o que aprendeu na faculdade e que era uma questão cultural e que “você que aprendeu a gostar de pessoas mais gordas por causa da sua condição financeira e quem é magra vice e versa, então está tudo bem.” E que só gente feia, pobre, desempregada é que fica falando mal de pessoas na internet.
Depois dessa linda explicação cercada de elitismo, a herdeira Mazzafera veio se desculpar dizendo que foi mal interpretada e que nem era da elite e que não era tão rica como imaginam. E que se fosse da Elite estaria morta, pois eles não aceitam uma travesti sendo magra ou não e que o corpo de ninguém deveria ser pauta e que ela estava cansada de ser “saco de pancadas todo dia.”
Aqui tenho que concordar com a influencer, afinal corpos não deveriam ser objetos de discussão, mas como figura pública, não dá para gravar um vídeo cultuando a magreza numa era em que as pessoas estão novamente obcecadas e usando remédios apenas para perder peso pois se acham gordas ou lembrar de que elas são da ralé não da elite por isso não tem bom gosto. Essa associação só reforça estereótipos negativos e marginaliza corpos que fogem dos padrões de beleza dominantes.
É preciso não só debater, mas mudar alguns padrões impostos por pessoas como ela, afinal a sociedade está em constante mudança e pensamentos e ensinamentos como esse precisam ser extintos, além disso, influencers digitais precisam ser mais responsáveis com o seu público e com o que pregam, afinal muita gente acredita e isso pode custar caro