Neste 08 de Janeiro, não esqueçamos dos golpistas

Uma análise profunda e crítica sobre momentos históricos pode revelar o que o calor do momento não permitiu ver com clareza. Não esqueçamos do vergonhoso passado do nosso país, marcado pela ditadura militar, conspirações e tentativas de golpe. Não esqueçamos das cenas grotescas dos atos de violência daquele 08 de janeiro que vieram a abalar, ainda mais, as estruturas democráticas do Brasil. Não esqueçamos do patrimônio histórico destruído, dos policiais agredidos e da invasão vil as sedes dos Três Poderes, onde golpistas rasgaram documentos, roubaram armas e vandalizaram o símbolo da democracia brasileira.

Se o plano tivesse se concretizado, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, Geraldo Alckmin, teriam sido covardemente assassinados. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, compartilharia do mesmo destino sádico. Instaurado o golpe, tal sentença seria estendida a estudantes universitários, professores, acadêmicos no geral, oponentes políticos e qualquer um que ousasse enfrentar o aparado político militar bolsonarista que teria se formado.

A tentativa de golpe não era um plano raso, brevemente discutido entre colegas, que em nada resultou. Em 5 de julho de 2022, o ex-presidente, e atual presidiário, convocou ministros, em uma reunião devidamente gravada e documentada em vídeo. O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, não só endossou atitudes golpistas, como especificou que qualquer ação deveria ser tomada antes das eleições, já prevendo uma derrota pelas vias democráticas.

Treze dias depois, seguindo a cartilha fascista, o líder de organização criminosa se reuniu com embaixadores para minar a confiança no processo eleitoral brasileiro. processo totalmente auditável e tido como um dos mais seguros do mundo.

Um dia após a derrota nas urnas, começam os acampamentos em frente aos quartéis e orações a pneus, onde os golpistas pediam veementemente por intervenção militar. Pouco depois, o general Mario Fernandes criou o arquivo e detalhou o plano, considerando, inclusive, os riscos operacionais da execução do golpe. Em 12 de novembro, o grupo se reuniu na casa do general Braga Netto, e passou a monitorar, ilegalmente, o ministro Alexandre de Moraes. Tudo isso fartamente documentado com mensagens trocadas, ligações, registros de entrada e saída e o próprio registro da impressora que usaram para imprimir a chamada “minuta do golpe”.

Enquanto o teatro é formado, os manifestantes criminosos continuam a se aglomerar e a implorar por intervenção militar, se valendo do lema “mais 72 horas”.

Todo o planejamento, investigação e preparo criminoso culmina na invasão e destruição das sedes dos Três Poderes. O Brasil assiste a cenas de violência e destruição em um claro atentado à democracia.

Segundo o próprio Supremo Tribunal Federal, 638 pessoas foram condenadas e 552 fizeram acordo com o Ministério Público Federal. Claro, não esqueçamos de toda a rede criminosa que idealizou, articulou, planejou e pôs em prática o plano nefasto que poderia destruir a estrutura democrática do país. Esses foram julgados e condenados a penas que chegaram a 27 anos e três meses de prisão. Em um momento histórico, uma corte civil julgou e condenou militares por atentado à democracia.

Os filhotes da ditadura se debatem no túmulo.

Por fim, neste 08 de janeiro, relembramos e lutemos pelas palavras de Umberto Eco: “Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que ‘eles’ não podem repetir o que fizeram”!

Foto de capa de Jornal da Paraíba

Uma resposta

  1. Um texto necessário para exercitar a memória institucional do nosso país. A análise dos fatos deve se sobrepor às narrativas emocionais, especialmente quando os registros históricos e as provas documentais são tão claros sobre a gravidade do que foi planejado. Independentemente de espectro político, a preservação do diálogo e o respeito deveriam ser valores unânimes.

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