ICE: A Gestapo de Trump

Conforme o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, a Gestapo, abreviação de Geheime Staatspolizei, foi a polícia secreta da Alemanha nazista. Criada em 1933, após um processo de centralização da polícia alemã, que até então era subordinada a governos locais, por Hermann Göring, líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães e veterano da Primeira Guerra Mundial. Valendo-se de uma rede de informantes, métodos de tortura, coerção, busca e apreensão, a Gestapo era responsável por caçar os chamados “inimigos do regime”.

O corpo da Gestapo era composto por oficiais à paisana, detetives, policiais políticos experientes e membros do serviço de inteligência das SS. Com poderes quase absolutos, a Gestapo podia enviar pessoas diretamente aos campos de concentração, contornando o sistema judicial alemão. Além disso, a instituição não era sujeita a supervisão legal ou administrativa, ou seja, nem mesmo os tribunais poderiam anular as ações da Gestapo.

Qualquer semelhança com as táticas empregadas pela ICE para caçar e prender imigrantes não é mera coincidência.

Criada em 2003, com orçamento anual de US$ 8 bilhões, a Immigration and Customs Enforcement (ICE), conforme o site da própria instituição, tem por objetivo combater “quem representa um perigo para a segurança nacional, tornando-se uma ameaça à segurança pública ou que, de outra forma, prejudique a integridade do sistema de imigração.” É difícil acreditar que Renee Nicole Good, cidadã norte-americana de 37 anos executada por um agente da ICE, se tenha enquadrado nos requisitos acima citados. A cena, registrada em vídeo, desmente a alegação de reação violenta ou de atentado à integridade do agente. As imagens registradas mostram um ato violento, uma execução sumária à queima-roupa.

A morte de Renee desencadeou uma avalanche de manifestações contra as ações da ICE, inclusive com expulsão de agentes de restaurantes e hotéis pela população. Os protestos ocorreram em Austin, Seattle, Nova York, Los Angeles e Minneapolis, cidade onde o agente Jonathan Ross cometeu o assassinato.

Trump tem usado a ICE como sua força paramilitar pessoal, para cumprir suas políticas anti-imigração, cada vez mais hostis. Essa hostilidade leva a própria população americana a reagir, protegendo os imigrantes e os próprios cidadãos das ações truculentas da “polícia de Trump”. As instituições federais têm respondido às prisões da ICE, alegando falta de acesso às instalações carcerárias e às informações sobre as operações.

Como a Gestapo, a ICE não parece responder aos tribunais e às demais instituições federais. Como polícia política, tem sido deliberadamente usada pelo presidente norte-americano como força armada que não hesita em abrir fogo contra civis, apontar armas ou disparar bombas.

A organização jornalística The Trace informou que os agentes da ICE estiveram envolvidos em, pelo menos, 16 episódios de disparo de arma de fogo, desde o início da ofensiva. Os números saltam para 29 incidentes, incluindo 16 tiroteios, até 9 de janeiro deste ano.

Como resultado das políticas fascistas de Trump, a população nos centros de detenção da ICE chegou a cerca de 69 mil pessoas, além dos 352 mil imigrantes apreendidos e deportados forçadamente. Em 2025, 32 pessoas morreram sob custódia da ICE, o maior número já registrado desde a criação da agência.

Com essa breve análise histórica e os dados apresentados, fica clara a relação entre o fortalecimento da ICE e o uso político da agência por Donald Trump. A Gestapo americana tem sido instrumentalizada e usada como arma contra a população que Trump jurou combater: o imigrante, que move a parca economia americana com seu suor e sangue.

Foto de capa por pedro18

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