EUA e sua fixação pelo terrorismo

Historicamente, os EUA se valem do discurso de combate ao terrorismo para justificar a invasão de vários países e o confisco de suas riquezas nacionais. O famoso 11 de setembro serviu como pretexto perfeito para que o então presidente George W. Bush colocasse em prática a chamada “Guerra ao Terror”, doutrina que fez os EUA exportarem a matança para qualquer país que desejassem. A estratégia é bem simples: escolher um grupo local, nomeá-lo como terrorista, pressionar o país-alvo a combatê-lo e, ao menor sinal de que suas exigências imperialistas não estão sendo cumpridas à risca, invadir o país, especialmente se ele possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo, como o Iraque.

Menos de um mês após o 11 de setembro, os EUA já haviam empreendido ataques ao Afeganistão, sob o discurso de combate à Al-Qaeda e ao Talibã. Em 2010, conforme o jornal The New York Times, geólogos americanos membros do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (por mais estranha que essa relação seja) “descobriram” reservas minerais avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (83 vezes o PIB do Afeganistão), mesmo ano em que o PIB norte-americano cresceu 2,9% (um ano antes, o PIB havia contraído 2,6%). Em 2021, duas décadas após a invasão inicial, os EUA se retiraram, deixando mais de 240 mil mortos, dentre eles dezenas de milhares de mulheres e crianças, e um prejuízo trilionário ao povo afegão.

No Iraque, o objetivo era ainda mais claro. Em 2001, o país possuía uma reserva provada de 112,5 bilhões de barris de petróleo (de acordo com Guilherme Guimarães Santana, superintendente de estudos estratégicos, em relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Em contrapartida, os EUA possuíam apenas 30,4 bilhões de barris, 27,02% da reserva iraquiana. O alvo era claro, afinal, a Ásia Ocidental mantinha 65,3% da reserva mundial de petróleo.

As estratégias para legitimar as invasões são bem nutridas e elaboradas. Investimentos obscenos em propaganda, filmes e livros buscam desumanizar os grupos étnicos árabes. Edward Said, acadêmico e escritor estadunidense-palestino, expõe em seu livro “A Questão da Palestina” os gastos bilionários anuais em propaganda americana e israelense para influenciar a opinião pública sobre as nações da Ásia Ocidental. Afinal, se o seu inimigo for um bárbaro, cruel, sanguinário e desprovido de alma, seu extermínio passa a ser validado e normatizado.

Restaa-nos a pergunta: afinal, que terrorismo é esse que os EUA buscam combater? Se estivermos falando sobre ataques sistemáticos a civis (terminantemente proibidos pelo Direito Internacional Humanitário), devemos lembrar como “Israel” (leia-se “fantoche estadunidense”) deliberadamente dispara contra crianças, mulheres e pessoas idosas palestinas desde a Nakba de 1948. Devemos lembrar como obtiveram o maior banco de pele humana do mundo, o Banco Nacional de Pele de Israel (Israel National Skin Bank – INSB), fundado em 1986 em ação conjunta com as FDI (Forças de Defesa de Israel). Lembremo-nos dos civis mortos na invasão à Venezuela. Lembremo-nos de como Abu Mohammed al-Jawlani ficou conhecido ao violar diversos direitos humanos, e de como Trump trocou afagos e brincadeiras com ele em seu encontro, um ano após oferecer uma recompensa de US$ 10 milhões por sua cabeça.

Afinal, que tipo de terrorismo seletivo é esse? Que tipo de terrorismo exclui aliados e inclui nações com as maiores reservas minerais do mundo?

Em 2025, Donald Trump classificou os grupos antifascistas como “terrorismo doméstico”, mesmo o FBI tendo dificuldades gritantes para defender essa tese nos tribunais norte-americanos. Tudo em prol da tentativa de estampar um rótulo na testa de qualquer adversário político.

Por fim, retomo uma última vez a pergunta central deste texto: Que terrorismo é esse, que os Estados Unidos têm buscado “combater” para alimentar a própria economia?

Foto de capa por Specna Arms

Uma resposta

  1. Considero de extrema importância esses seus textos para a conscientização critica das pessoas perante a ascensão de um neofascismo camuflado de uma “política contra as drogas”. Um ditadores disfarçado de presidente sempre escolhendo um alvo e nunca olhando para as questões internas e seus próprios discursos
    Como alguém que está começando a desenvolver um pensamento crítico, agradeço o tempo e esforço dedicado a criação de um texto tão importante e necessário.

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