Donald Trump: de “outsider” político a maior esperança do imperialismo americano

Na madrugada do dia 03 de janeiro, os Estados Unidos invadiram a Venezuela, um Estado soberano e reconhecido mundialmente, silenciando suas defesas áereas e abrindo espaço, mediante um violento combate terrestre, para o sequestro do presidente eleito Nicolás Maduro. A ação terrorista deixou mais de 80 mortos (número apurado pela BBC, no dia 5), dentre militares e civis, além de graves danos à infraestrutura de Caracas.

O manto da “luta pela liberdade” e o “combate ao narcoterrorismo” durou poucas horas. Em seu discurso, realizado no mesmo dia que o sequestro de Maduro, Trump, além de destacar a superioridade militar do próprio país, ressaltou que empresas americanas irão entrar na Venezuela e que parte do valor extraído será usado para “reparar os danos” que o governo Maduro teria causado aos EUA. Sem falar em democracia, ou apresentar quaisquer provas das graves acusações que fez, Donald Trump se valeu de uma fala confusa e ultranacionalista na tentativa de construir a máscara de que “está protegendo os americanos das drogas vindas da Venezuela”. Vale lembrar que, pelo Relatório Mundial sobre Drogas 2025, produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, os Estados Unidos figura como o país com o maior número absoluto de consumidores de drogas, incluindo cocaína, superando o Brasil bravamente.

Apesar da surpresa e do espanto causados à comunidade internacional, as ações de Trump são o produto histórico mais esperado do imperialismo americano. O presidente, que mantinha uma relação próxima com Jeffrey Epstein, é fruto de um processo de erosão das normas democráticas. A mudança nas regras de escolha dos candidatos, em 1972, pavimentou o solo que possibilitaria a ascensão de celebridades dentro da política, se valendo de fortuna pessoal e/ou fama.

Com o fracasso do Partido Republicano em atuar como “guardião da democracia”, a vitória de Trump em seu primeiro mandato foi viabilizada. Em vez de isolar um candidato que demonstrava tendências autoritárias e desdém pelas normas, a maioria dos líderes republicanos acabou por normalizar a eleição, cerrando fileiras atrás de Trump para evitar a vitória do partido rival.

Com a democracia fragilizada, o terreno estava preparado para receber Trump e suas polêmicas.

Como um habilidoso demagogo, o atual presidente norte-americano soube capitalizar em cima de um ressentimento social, alimentado pela desigualdade econômica e pela estagnação salarial existente nas últimas décadas.

Em seu primeiro mandato, Trump atacou instituições que deveriam ser neutras, como o FBI, as agências de inteligência e, claro, os tribunais. James Comey, diretor do FBI, foi demitido após se recusar a encerrar investigações que afetavam o atual governo. O presidente ressuscitou o slogan “American First” (que evoluiu para “Make America Great Again” posteriormente) e implementou políticas severas e brutais a imigração. Nesse primeiro momento, Trump testou as grades de proteção da democracia, grades que seriam novamente testadas em seu segundo mandato.

Com a ameaça hegemonia norte-americana, e suas relações com a rede de pedofilia de Epstein vindo a tona, Trump fez o que os Estados Unidos faz de melhor: por meio de atos terroristas, invadiu outro país, deixou dezenas de mortos, feriu a soberania nacional da Venezuela e deixou claro seu discurso que visa tomar os recursos naturais ali presentes. Tudo em prol de esconder as acusações contra ele mediante uma cortina de fumaça, além de garantir sobrevida ao império decadente que lidera.

Os Estados Unidos se consagra como uma máquina lubrificada com sangue e petróleo.

Foto de Capa por Rosemary Ketchum

Respostas de 6

  1. É alarmante observar como a história parece se repetir sob novas roupagens. A fragilidade da soberania nacional diante de interesses econômicos disfarçados de missões humanitárias. Independentemente de inclinações ideológicas, a substituição da diplomacia pela força militar e a exploração de recursos de terceiros são práticas que deveriam gerar profunda reflexão na comunidade internacional. Deveria. Ver a política externa ser utilizada como possível manobra de distração para crises internas é um cenário que desafia os limites da democracia moderna e do direito internacional. Parabéns pelo texto.

  2. Excelente colocação, expressou tudo aquilo que penso sobre este Genocida chamado Donald Trump.

  3. Reflexão lúcida e necessária. Mesmo com acesso aos estudos de história, os quais mostram atrocidades e atentados ocorridos no passado, uma parcela da humanidade continua cometendo os mesmos erros, ferindo o direito à vida.

  4. Texto, crítica e análise impecável! Informações como essas ajudam a conscientizar os cidadãos caribenhos e latino-americanos de que o “fantasma do imperialismo” está mais ativo e real do que nunca em nossos tempos modernos, manifestando-se de formas diferentes porém com o mesmo objetivo: A opressão e genocidio subjetivo e literal do desenvolvimento (ideológico, ecônomico, social) de qualquer nação que ascenda e ultrapasse o pensamento norte-americano.

  5. O que vemos agora não foi apenas um sequestro de um chefe de Estado, mas sim o sequestro de um país. Um brasileiro defender esse tipo de ação e enxergar algum tipo de “”democracia”” nessas atitudes, só reforça o quanto a população esta cada vez mais alucinada pelas coisas que elas mesmas criam. Esta cada vez mais difícil falar sobre política no Brasil.

  6. Pois é… A franca e clara decadência dos EUA é evidente e inevitável. Me parece que estão em um grau de desespero tão grande que beira a insanidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *