Divida sua cerveja

Há muito tempo, em uma ilha muito muito distante, lá em Além-Mar, vivia o belo Povo das Artes. Cada um deles era excepcional em uma: canto, instrumentos musicais, poesia, danças, interpretação, forja, plantio, colheita, astronomia, curas, guerras, entre muitas outras. Mas nem tudo eram flores…

Agora te pergunto, o que é Arte? É aquilo que vemos apenas em museus e palcos, é algo comercial, algo feito com tanta maestria que te deixa de queixo caído ou é tudo isso junto e muito mais? Arte é algo que te gera um rebuliço de emoções que vão da admiração ao mais profundo ódio e desses sentimentos te levarem a um impulso de se mover e colocá-los para fora. Arte é contexto cultural, social, político, do local e da época. Nós respiramos e vivemos diversos tipos de artes cem por cento do nosso tempo e todos nós somos artistas em algum aspecto da vida, nem que seja para nosso núcleo familiar.

Arte influencia e cria memória. Agora, se a pessoa faz uma arte e só guarda para ela, sem compartilhar com absolutamente ninguém, nem com sua família ou amigos, é arte ou é terapia? Fica o questionamento que não responderei, pois não tenho a resposta.

Vocês devem ter estranhado guerra estar no meio das artes, mas voltando na parte do contexto, o início do texto foi inspirado nos Tuatha de Danann, a Tribo das Artes ou Habilidades, que é o povo dos deuses Irlandeses (não, Tribo da Deusa Danu é uma tradução errônea, antes que alguém venha comentar). A guerra era parte da cultura dos diversos povos que viviam na ilha, então para eles é natural que tudo que envolva esse evento seja incluído como uma Arte, assim como artes para manter o povo vivo (cura em diversos aspectos, plantio, etc). 

Se você já leu meus outros textos, já deve ter percebido que tenho uma queda (um tombo) pela mitologia irlandesa, então vamos trabalhar neste aspecto. 

“Ah se cada um dos deuses tem uma grande habilidade, eles tem um superior que tem todas elas, certo?” Pergunta a pessoa com mentalidade monoteista.

Bem, na verdade eles têm uma arte que se ressalta, mas todos têm diversas, mas sim tem um que é conhecido por sem O Das Muitas Artes. Perto de uma boa parte dos deuses, ele é o caçulinha da turma e por ser mais novo que ele teve a oportunidade de estudar e treinar todas elas, pois todos os outros lhe ensinaram. Seu nome? Lugh Lamhfada, rei dos Tuatha de Danann antes de Dagda assumir (pois os deuses irlandeses têm líderes por um tipo de eleição).

Todo esse texto, até agora, foi para introduzir você neste momento. Eu precisava que você entendesse alguns pontos para chegar em uma pequena interação durante uma meditação que fiz com Lugh. 

Quando trabalho com Badb, ela costuma dividir o vinho dela comigo e raramente com quem estiver em casa, já quando trabalho com Lugh, é comum ele pedir para dividir a cerveja com quem estiver em casa (menos com a gata). Então perguntei o motivo, ele calmamente disse “Arte só é arte quando compartilhada, porque você manteria ela só entre nós?”. Isso ressoa em cada fio de cabelo do meu corpo até agora. Divida sua cerveja. Deixe sua arte fluir e envolver os outros.

  • Lembrando que esse é um pedacinho de um trabalho particular que tenho com ambas deidades, não é algo generalizado – 

 

Foto de ELEVATE

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