Cultura do feedback, diversidade e inclusão na gestão de pessoas

Nas empresas e organizações o feedback é ferramenta fundamental. A meta é, junto aos diversos profissionais, demonstrar o que está sendo feito de certo ou errado, frente a missão, visão e valores do empreendimento. 

Quando feito da maneira correta, os trabalhadores aprendem sobre o que precisam ajustar e, o mais importante, se sentem reconhecidos e agradecidos pelo que fizeram da maneira certa.

Infelizmente, não é o que ocorre. Na prática, muitos gestores tem usado o feedback como desculpa para agredir, ameaçar, aterrorizar e diminuir profissionais que realmente trabalham e se dedicam no ambiente profissional. Ao ler as postagens e comentários do Instagram encontramos pessoas traumatizadas com as pressões de feedbacks feitos com o intuito de demandar poder, força e opressão resultando em instabilidade, dificuldade em alcançar resultados e, por fim, demissões questionáveis.

É obvio que cada caso é um caso, mas, o gestor também precisa ser treinado sobre como oferecer devolutivas inteligentes, que agreguem valor, que valorize talentos, principalmente frente as novas necessidades de Programas de Equidade, Diversidade e Igualdade. 

Ou seja, cada profissional é único, sendo em si, um talento que pode ser lapidado para tanto benefício do próprio profissional, quanto da empresa. Reconhecer a presença da pluralidade e da diversidade é indispensável para eliminar ambientes tóxicos e discriminatórios. Lembre-se: intolerância é crime.

Então, seguem algumas dicas para que gestores saibam como executar feedbacks de forma inteligente, sem desrespeito ou ofensas, na busca por ambiente saudável na organização:
Primeiro, se você gestor acredita que algo não está sendo feito da maneira correta, a primeira coisa a se questionar é se o colaborador foi devidamente treinado. Depois, verificar se está seguindo regimento e normas. Reaplicar o treinamento pode ser uma boa ideia, pois é comum os profissionais terem dúvidas. Da mesma forma, retreinar certifica sua vontade em resolver o problema de acordo com regras institucionais.

Segundo, se começa a ficar claro para a gestão que o profissional parece resistir em seguir as orientações, cabe aqui uma reunião. Lembre-se: elogios em público e críticas no particular. Muitas empresas tem câmeras na sala de reunião – isso é uma segurança para ambas as partes. Mas, se você gestor acredita que será necessário fazer exigências, não faça a reunião sozinho. Seja claro, mostre o problema, mostre as consequências do problema para o setor e para a empresa. Peça para o profissional se posicionar sobre o problema e explicar o motivo de suas atitudes e comportamentos. Nessa hora é imperativo avaliar a resposta, pois ali tem os indícios sobre o que está acontecendo: falha na comunicação interna? ambiente tóxico? assédio? equipamentos com defeitos? Após ouvir, tome decisões sobre o que é necessário para resolver o problema. O profissional é peça chave para isso.

Terceiro, nunca… Jamais… Faça piadinhas com os erros dos trabalhadores. Isso demonstra claramente que você está usando sua posição de poder para ofender, na medida em que trata os erros do profissional como um ataque contra sua pessoa. Essa falta de profissionalismo tem custado caro em processos trabalhistas.

Quarto, quando erros acontecem no ambiente de trabalho, é comum relacionar a pessoa do trabalhador com o eu profissional. Cuidado com isso! Sua colega trans comete um deslise profissional e você decide questionar a sexualidade dela? O cabelo dela? Relaciona o erro a etnia? Sucessão de absurdos. Todas as posturas mencionadas acima vão de encontro as normas e podem resultar em problemas para a gestão. Cada vez mais na mídia vemos LGBTIs+ em situações profissionais vexatórias por sofrerem discriminação no ambiente de trabalho. Evite isso aprendendo que as roupas, o corpo, o penteado do outro não diz respeito a você, principalmente quando a organização não possui nada sobre isso em seu regulamento.

Quinto, em hipótese alguma tente fazer feedback em festas corporativas, fora do local de trabalho, por mensagens ou ligações. Se não é para elogiar, evite isso. Quando você faz isso fora do local e do horário de trabalho, você está passando por cima das leis. Se a meta é ganhar tempo, então, se organize para que todas as suas tarefas sejam cumpridas dentro do horário de trabalho. Isso inclui o feedback.
 
E você leitor, já passou por uma situação difícil frente a um feedback? Conte para nós!
 
Foto de capa por Yury Kim

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