A Hora do Mal explica tudo mesmo sem explicar tudo

A Hora do Mal (Weapons, 2024) é o mais novo filme dirigido e roteirizado por Zach Cregger do maravilhoso Noites Barbaras, que eu falo sobre aqui. Na história 17 crianças de uma classe escolar saem de suas casas exatamente à 2:17 da madrugada e desaparecem sem deixar qualquer vestígio na pequena comunidade Maybrook. Os pais desesperados acusam a professora de saber algo sobre o ocorrido, mas a verdade é que ela está tão perdida quanto eles quanto a isso e enquanto as tensões aumentam na cidade, algo sinistro se arrasta nas sombras sem que ninguém note.

O título desse texto é confuso, mas espero que até o fim dessa resenha vocês consigam entender o meu ponto sobre esse filme e sobre filmes em geral. A Hora do Mal usa uma estrutura similar ao outro projeto de Cregger Noites Brutais, você vê a história ser desenvolvida em parte, pelo ponto de vista de cada um dos personagens escolhidos pela trama para nos conduzir por esse mistério e todas as suas reviravoltas e digo que ele é muito bem sucedido em sua tarefa. Ao fim do filme, temos todas as respostas que precisamos juntamente com sua conclusão que para mim é um dos pontos mais altos do filme.

Devo dizer que toda a experiência que tive com esse filme foi melhor do que esperava, eu adoro a condução que me leva quase como uma dança por suas histórias, as vezes tem alguns baixos quando a história acaba chegando em um grande alto e voltando para um começo mais lento, mas em momento algum eu fui tirado da história, pelo contrário, o filme compensa essa descida com um desenvolvimento ainda melhor do que o anterior e por isso acaba segurando o expectador que sabe que vai ter e quer muito mais.

Mas por que eu disse que o filme explica sem explicar? Bom, agora vou explicar esse ponto. Hoje em dia você tem muitos filmes que muita das vezes explica mais do que precisa, ou é extremamente EXPLICATIVO em seu roteiro. São coisas que não fazem real diferença no roteiro, você entenderia o ponto do filme tranquilamente sem aquilo, ou, o que acho o pior, expressam através de diálogos expositivos tudo aquilo que eu já entendi vendo o filme.

O filme é uma mídia que chamamos de multimodal, ou seja, uma mídia que usa de diferentes elementos para comunicar sua mensagem. No caso do filme temos a imagem, o som, por vezes até textos escritos para nos dizer o que precisa ser dito e acredito que nesse ponto A Hora do Mal é um bom exemplo que tenho para mostrar como isso é muito bem feito. Algumas das respostas do filme não virão através de diálogos expositivos, mas das imagens que ele mostra principalmente com relação ao ocorrido na cidade. Certos pontos podem parecer não explicados, mas pare e pense, você realmente precisa saber todos os pormenores da trama para desfrutar do filme? Sinceramente eu acredito que não. É um filme que mostra que em certos casos, menos é muito mais, e que sua mensagem não precisa de exposições desnecessárias para explicar o que já está explícito de uma outra forma de texto.

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