E de fundir fundido

e de fundir fundido na fundição
ele se fez fodido.
não era buraco, não era
umbigo, nem cisão.
troca de linha do verso,
mas não o reverso, nem
o lugar comum.
rutura do enjambement.
e de andar andando andado
ele se fez andarilho.
não era peregrino, não era viajante,
nem estrangeiro.
praia do passeio, passo do
passageiro,
mas não memória que fala,
nem aquela que cala.
ruptura da flor,
ele se espraiou.
e de beijar o ar como se lá
fosse
foi pássaro no colo dela,
ave palavra, ave em seus olhos.
e de fundir fundido ficou
sem presunção,
nem arrogância.
fundido ficou na eterna mudança
da experiência,
no sabor diário de seus lábios
de especiarias desenhados.

Capa por Bence Szemerey retirado de Pexels

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