uma foto que mostra uma mulher de cabelos curtos e sardas com um pensamento preocupado e ansioso, podendo ser o início de um crise de síndrome pânico. #pracegover

Síndrome do pânico ou pânico da síndrome?!

Por volta dos meus dezessete anos dormi ótima e acordei apavorada, assustada, não sabia o que estava acontecendo. Parecia que iria morrer a qualquer instante, sofria com taquicardia, palpitações, tremores, um medo terrível de sair de casa e principalmente de morrer, inclusive de morrer dormindo. O que poderia estar acontecendo?! Naquela época, pouco se falava sobre esses transtornos. E o pouco que se sabia era tratado como frescura ou “coisas da idade”.

Foram os piores três meses da minha vida. Três meses sem dormir, dormia sendo vigiada e com a luz acesa, dormia de cansaço por passar horas e horas em claro. Meus pais se revezavam para me acompanhar nas longas noites com pavor de dormir.

Sempre tive a sorte de ter ótimos amigos ao meu lado, naquela época contei o que estava acontecendo para eles e imediatamente se prontificaram em me ajudar durante as crises. Uma amiga sempre insistia para que saíssemos para passear com a intenção de me distrair, mas todas as tentativas eram abortadas. Voltava sempre correndo para casa com todos os sintomas do pânico.

A única coisa que fazia era check-up praticamente semanal para saber como estava minha saúde – ótima por sinal. Inventava histórias mirabolantes para que os médicos me solicitassem exames diversos e sempre conseguia todos. Os resultados eram sempre negativos, com ausência de qualquer doença. Sempre com a saúde perfeita. Mas isso não era o suficiente, achava que tinha algo errado com o meu corpo, como poderia sentir tudo aquilo e estar esbanjando saúde?! Sim, estava tudo perfeito. Meu psicológico é que não estava. Me mantive forte, nunca procurei ajuda psicológica ou tomei remédios. Até que um dia uma médica (clínico geral) me deu um chacoalhão, disse que se eu não fizesse um esforço para melhorar, iria acabar morrendo mesmo. Nossa cabeça é quem comanda o corpo todo.

Foi a partir daquele momento que comecei a brigar internamente e após três longos meses estava “curada”. Só quem já passou por isso sabe o quão horrível é ter que lutar com nossos monstros internos. Na época até viajar sozinha em crise fui. Passei alguns dias na casa de praia da minha madrinha e lá tive dias bons e outros nem tanto. Os fundos da casa davam para um cemitério e para quem achava que iria morrer a qualquer momento não era uma boa ideia (risos).

Após vinte e três anos tive um pequeno episódio de pânico, só que este não me permitiu comer. Óbvio que estava tudo bem com a minha saúde, mas minha cabeça fez travar minha glote e nada sólido passava.

A experiência que deixo aqui é para que sempre que você passar por algo parecido, seja depressão, algum transtorno alimentar, crises de pânico ou ansiedade, busque ajuda. Nunca passe por isso sozinho (a), não tenha vergonha de procurar ajuda profissional ou de algum amigo.

Hoje faço manutenção com florais e têm me ajudado muito a não ter novas crises, mas o maior medo não é a síndrome do pânico, é o pânico da síndrome porque não sabemos quando ela poderá voltar. Espero que nunca mais!

Para ver mais textos de Daniela Houck, confira sua coluna Café com Respeito!

Imagem de Khusen Rustamov por Pixabay

SERVIÇO: Para você que está passando por isso e quer procurar ajuda, o Instituto Pró-Diversidade conta com atendimento psicológico para associados. Além disso, você pode contar com o apoio gratuito do CVV – Centro de Valorização da Vida – pelo telefone 188, e-mail e chat 24 horas todos os dias. A cidade de São Paulo também conta com um pronto-atendimento ligado ao SUS, o Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM). Fica na Rua Major Maragliano, 241 – Vila Mariana, São Paulo e é aberto 24 horas.

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