Boletim Pró-Diversidade

Orgulho e Pré-Conceito

Vista aérea da 20ª Parada do Orgulho LBGT em São Paulo em 2016. Foto André Penne/AP
 

Junho é considerado o mês do orgulho LGBT e em São Paulo já é tradição que no domingo que sucede o feriado de Corpus Christ ocorra a Parada Gay, mas apesar de toda a festa e busca por direitos… por que este mês é considerado símbolo de luta e orgulho para a comunidade LGBT?

 

Falando de orgulho, a palavra é um antônimo de vergonha, esta por sua vez, é utilizada para se referir àqueles que são diferentes, apesar que todos somos diferentes e é isso que fazem os seres humanos uma espécie incrível, ainda que as expressões diferente e vergonha sejam usadas de forma pejorativa para ferir pessoas que possuem orientação sexual e identidade de gênero contrária a aceita pela sociedade.


Os LGBTs foram oprimidos por vários anos e após a revolta de Stonewall em junho de 1969 em Nova Iorque, deram visibilidade ao movimento que se articulou após o incidente, extremamente violento pois a política anti LGBT nos Estados Unidos era cruel ao ponto de um casal ter uma relação homoafetiva ser condenado a prisão perpetua entre outras atrocidades cometidas no intuito de supostamente “curar a doença”, e aos  que enfrentaram os policiais naquele 28 de junho e se rebelaram contra o sistema fizeram com que a comunidade gay ainda no submundo fosse amplamente divulgada.

Confronto entre policiais e homossexuais após a polícia de Nova Iorque ter invadido o bar Stonewall Inn e obrigaram drag queens e travestis a tirar a roupa, e aqueles que tivessem o órgão sexual masculino seriam levados à delegacia. Fonte Arquivo New York Daily News.


A partir de Stonewall ficou decidido que ninguém iria mais se esconder, no ano seguinte para celebrar o primeiro aniversário do incidente, surgiram as primeiras Paradas LGBTs nos Estados Unidos. O movimento até hoje contém tem três premissas principais: que as pessoas devem ter orgulho da sua orientação sexual e identidade de gênero; que a diversidade é uma dádiva; e que a orientação sexual e a identidade de gênero são inerentes ao indivíduo e não podem ser intencionalmente alteradas. 


Um ano depois do incidente ocorreu a primeira parada para celebrar a união da comunidade LGBT contra a repressão. Fonte Arquivo New York Daily News.
 

Ganhando cada vez mais terreno no país  e com o passar dos anos se espalharam pelo mundo, até chegar ao Brasil no ano de 1995 no dia 31 de janeiro em Curitiba onde participaram do ato 500 pessoas e seis meses depois em 25 de junho foi a vez do Rio de Janeiro fazer a sua parada do orgulho gay no encerramento da 17° conferência do ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex) em Copacabana, onde foi a primeira convenção realizada no Hemisfério sul. 

Foto da 1ª Parada Gay de Curitiba e do Brasil. Fonte: lado A


Em 1997 também no mês de junho, o icônico palco de protestos e celebrações, a Avenida Paulista, recebeu cerca de 2 mil gays, lésbicas, travestis e ativistas para celebrar o orgulho e protestar contra o preconceito na primeira parada LGBT de São Paulo. Atualmente a parada paulistana é considerada uma das maiores do mundo e mesmo que para muitos saiu do caminho e agora é apenas uma grande festa pós feriado, ela representa sim um ato importante pela luta por direitos e igualdade perante a sociedade.
 
Mas afinal é GLS, LGBT, LGBTTT, ou sei lá o que?

Confesso que também fico confuso, mas vamos tentar explicar as muitas siglas utilizadas pelo movimento. Durante anos utilizou-se o GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) até que ficou estabelecido em 1998 que seria o LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) nota-se duas mudanças o L foi a frente para destacar a desigualdade de gênero que também diferencia homossexuais femininas e masculinos e ocorreu a inclusão do B e T.
 
O movimento social brasileiro e as entidades governamentais, como conselhos e secretarias, nos três âmbitos da federação utilizam a sigla LGBT. Apesar de LGBTTTIS designar explicitamente lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, intersexuais e simpatizantes, em alguns casos é utilizado A, de assexual, a denominação não é usual no país.
Ilustrações dos 32 gêneros, há muito mais do que aqueles que conhecemos.
Em geral, presume-se que o T englobe as identidades de gênero começadas por essa letra, mas, principalmente em inglês, também se vê o uso de LGBT*, com o asterisco funcionando como um sinal que indica que o T tem significado múltiplo. 
Órgãos como a ONU e a Anistia Internacional elegeram a sigla LGBTI, que engloba as pessoas intersex. Já em termos de movimentos sociais, uma denominação que vem ganhando força é LGBTQ ou LGBTQI, incluindo além da orientação sexual e da diversidade de gênero a perspectiva teórica e política dos Estudos Queer.
Qualquer uma das siglas estão corretas e não precisamos ficar presos a elas, afinal, tanto o mundo quanto as pessoas estão em constante mudanças, e convenhamos que se identificar por uma sigla para pertencer a uma classe, é tudo o que aqueles que se revoltaram e enfrentaram a ira daqueles que não os aceitavam na busca por direitos e igualdade, não gostariam que acontecesse.

 

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