Boletim Pró-Diversidade

Jesus, o defensor das minorias

No último domingo ocorreu a décima nona parada do orgulho gay em São Paulo, esta por sua vez, acontece todo ano e toma cada vez mais ares de carnaval fora de época, do que protesto e luta pelos direitos do homossexuais, entretanto o dicionário define Gay [guêi] (do latim tardio gaiu, pelo francês gui e pelo inglês gay = “alegre, jovial”), ou, mais raramente, guei , um termo de origem recente inglesa que é utilizado normalmente para se designar o indivíduo, homem ou mulher. O tema deste ano inspirado na personagem de Jorge Amado, Gabriela, pode ser propriamente utilizado para várias situações, principalmente para aqueles que não querem mudar, nesse caso me refiro a mentalidade, pois os “cabeças duras” podem alegar que nasceram assim, então devemos aceitá-los.

Fato é que não comento sobre a parada, mesmo sendo jornalista, como de qualquer outro evento de rua (marcha para Jesus, viradas cultural e esportiva, passeatas e etc) se não for a trabalho ou com este propósito, mas diante das situações e ao deparar com a minha linha do tempo cheia de comentários preconceituosos, tanto sobre a atriz transexual, quanto ao ato e outras coisas que aconteceram em outros locais e anos sendo publicado com se tivesse sido na mesma parada da “crucificação transexual” resolvi escrever este pequeno texto e não sei se ficará tão pequeno assim.

Muitos julgam como blasfêmia, heresia, que estão brincando com fogo e Deus, porém não são preconceituosos, afinal têm amigos gays e os amam, mas “onde já se viu e blá, blá, blá…” pura balela a cada dia que passa nosso mundo fica mais retrógado e careta.

O Brasil em especial vem ficando cada vez mais segregado e intolerante, graças às minorias que querem fazer muito barulho, independente do lado que elas estejam e a internet ajuda a semear o ódio e fazer a suposta separação do joio do trigo. Discursos de ódio contra negros, gays, evangélicos, católicos, budistas, espíritas, enfim contra tudo e contra todos.

Voltando a parada e a transexual que se crucificou artisticamente para protestar contra a homofobia, contra as transexuais que são mortas diariamente, contra os homossexuais que apanham nas ruas, são humilhados, julgados e “crucificados” apenas por não serem como a maioria, ora agora eles estão se comparando a Cristo você pode estar pensando, que blasfêmia Jesus condena a homossexualidade, a promiscuidade, todo “viado” deve perecer e arder no fogo do inferno, bem essa não foi a mensagem deixada por ele, mas convenhamos que não adianta explicar, escrever, debater, pois sempre houveram excessos em nome de Deus e de Cristo e isso não foi  primeira e nem será a última vez que alguns se sentirão ofendidos, que irão impor sua vontade e claro não respeitando o livre arbítrio que nos foi dado.

Parece que esqueceram que Cristo andava com prostitutas e ladrões e que não fazia distinção do ser, afinal todos eram filhos de Deus e para ajudar ele foi julgado, apredejado, humilhado e crucificado não por ser santo e sim por pensar diferente, já que na época era uma pratica comum de aplicar a pena de morte e pasmem, hoje em dia há países, como o Sudão, em que pessoas ainda são crucificadas pelos seus crimes.

Mais uma vez o que vemos é que apenas aqueles que temem a Deus ou que façam aquilo ou isso em nome dele serão salvos e que todos, sim todos devem seguir a risca os ensinamentos da bíblia (escrita por um homem supostamente sob influencia de Deus), mas volto a repetir ele não nos deu o livre arbítrio para escolhermos o que acharmos melhor? Então do que adiantará tentar impor sua vontade e seu julgamento de valor se no final Deus no julgará pelas nossas atitudes?

É preciso rever muitos conceitos para assim começarmos a construir uma sociedade mais justa, laica que saiba respeitar a diversidade, é preciso estudar sair da palavra do seu “líder religioso”, pois assim como ele faz a sua interpretação do que está escrito, é necessário cada um fazer a sua e deixar de lado o discurso do eu não tenho nada contra gays, negros, bolivianos, haitianos ou qualquer outro grupo diferente do seu e seguir com um discurso preconceituoso após isso. Não é necessário ser ovelha, rebanho ou seguir a risca o que o outro falar, então antes de compartilhar qualquer coisa, pense, se você quer ser salvo por apenas ser submisso a determinada religião ou se quer ser salvo pelo seu coração.

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