Boletim Pró-Diversidade

Coluna Rapha Bueno

A difícil tarefa de ser filho

 

Raphaelly Bueno

Quando se é filho, e todos são em diferentes épocas, seja quando criança e adolescente e somos apenas filhos, seja quando adultos e somos pais e filhos, seja em idade provecta quando somos avós e deixamos de sermos filhos; idealizamos em nossos pais o sentido de perfeição. São eles nossos heróis, àqueles que refletem princípios e qualidades que devemos seguir. E são mesmo, mas são seres humanos, são errantes. Idealizamos em nossos pais indivíduos quase santos que, porventura ou não, não erram. Quando erram, nos decepcionamos.

A difícil tarefa em ser filho é aceitar os pais como imperfeitos que são. Eles erram, às vezes exageram no castigo e às vezes erram naquilo que pregam o contrário, às vezes descontam em nós a raiva e o estresse da vida, às vezes votam no PSDB. Mas o pecado é nosso, sabemos que vamos errar e por isso esperamos que nossos pais nos ajudem e guiem, por isso projetamos neles o ideal de perfeitos.

Ser pai e ser mãe é difícil, sabem mais eles que nos aguentam! Eles têm paciência para nos ver errando, caindo. Às vezes, nos desviando do caminho, mas aguentam firme, vão lá e nos ajudam a seguir. Dão educação, fazem das tripas o coração para te agradar (sem mimar), dar do bom e melhor, dar uma oportunidade de estudo e tudo o mais. Nós, ingratos, que já chegamos ao mundo chorando como quem diz “Ei por que me trouxe aqui, não pedi por isso”, quando o vemos errando logo censuramos, ao invés, este deveria ser o correto, de entender e ajudar. Talvez devêssemos dizer “Ei, tudo bem, errar é humano”, ou apenas aceitar.

Nem tanto por questões religiosas, pois diz no quarto mandamento “Honrarás teu pai e tua mãe”, mas por uma questão de humanidade, tal como a máxima de que viver em sociedade requer paciência e respeitar o espaço alheio, é necessário respeitar o espaço que foi reservado aos pais de errarem, enquanto seres humanos, para melhor nos educar. Afinal, a vida que é cíclica e sábia, faz-nos o favor de futuramente dar às nossas costas o fardo de sermos pais também e com isso o fardo de tentarmos não errar na frente de nossos filhos, quando estes nos censurarem entender que talvez seja uma fase ou simplesmente aceitar a cruz, porque bem como sabemos e, saberão eles também, futuro mais futuro serão eles os pais.

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