Boletim Pró-Diversidade

Esportes

Anderson Andrade

A arte desperdiçada

Esse mês eu queria escrever algo diferente, mas a “dispensa” de três jogadores do Atlético Mineiro por indisciplina me chamou a atenção e eis me aqui escrevendo novamente sobre futebol: Jô, André e Emerson Conceição.

O primeiro jogou a Copa do Mundo no Brasil e foi até titular, quando foi alçado aos profissionais do Corinthians aos 16 anos Jô se tornou jogador mais jovem a vestir camisa do time profissional alvinegro e ficou na equipe de Parque São Jorge até 2005 quando foi para o futebol russo. Lá chamou a atenção do novo rico da Inglaterra, o Manchester City e foi comprado por uma quantia absurda, depois de ser emprestado ao Everton por duas vezes, e após um ato de indisciplina foi afastado do time, até ir jogar na Turquia.

Sem espaço no City resolveu jogar pelo Internacional de Porto Alegre, a passagem começou até que boa, porém noitadas, faltas e muita indisciplina o fizeram ser esquecido pelo clube e saiu sem deixar saudade na torcida, aliás, não havia deixado saudades no Corinthians, no CSKA, no City…Como todos merecem uma chance o Atlético de Minas resolveu apostar. A parceria com Ronaldinho Gaucho, Bernard, Tardelli o fizeram artilheiro e consequentemente a convocação para seleção canarinho, em pouco mais de dois anos mais problemas, faltas, festas intermináveis na sua casa e nenhum gol desde abril deste ano, o atacante foi perdendo espaço no galo, até seu afastamento definitivo, fim melancólico para um jovem atleta que muitos consideram promissor.

Falando em promessa o segundo jogador surgiu na segunda leva de craques do Santos ao lado de Neymar, Ganso, André brilhou marcou gols e de lá partiu para o Dínamo de Kiev onde jogou apenas nove jogos e não anotou nenhum gol. Da Ucrânia, foi para a França jogar no Bordeaux, não teve muitas oportunidades e voltou para o Brasil para jogar no Atlético Mineiro, fez bons jogos no conquistou títulos, inclusive o de craque do campeonato mineiro e ídolo da galera, depois caiu de produção e voltou ao Santos para tentar recuperar o bom futebol, mas não conseguiu e saiu em baixa para o Vasco. No equipe cruz maltina fez bons jogos no inicio, porém caiu de produção e foi devolvido para o Atlético. Nesse retorno a cena mais famosa é a foto tirada em uma balada em que ele aparece dormindo de boca aberta.

E o terceiro e mais desconhecido do trio Emerson foi revelado pelo Corinthians Paranaense, depois rodou pela França, Portugal, Turquia, França até chegar ao Atlético nesse ano e já foi dispensado por indisciplina.

Esses três casos lembram tantos outros como o Adriano “imperador” de Milão que fez muito sucesso com a camisa do Flamengo, foi para Itália fez mais sucesso ainda e após a morte do pai a carreira começou a declinar, teve uma breve recuperação no São Paulo e após rescindir com a Internazionale, tentou jogar no Flamengo, Corinthians e Atlético Paranaense, sem muito sucesso, já que as baladas e faltas eram recorrentes. Hoje aos 32 anos está sem clube, e talvez volte a jogar no ano que vem na segunda divisão da França…

Posso listar casos de jogadores que jogaram a carreira no lixo, como Breno ex São Paulo e Bayern de Munique que está preso na Alemanha, Mutu romeno por problemas com drogas, o goleiro Bruno, enfim, muitos outros jogadores que são talentosos. Todos os citados ainda tem espaço e recebem chance, vide que Breno tem acordo com São Paulo, Mutu iria jogar a liga indiana, mas não conseguiu o visto por aparecer bêbado e Bruno que está preso, tem um acordo para jogar, mas não consegue liberação judicial.

Já Jô está sendo especulado no Corinthians e André foi oferecido no inicio do ano ao time paulista e propostas devem surgir, para todos eles e sinceramente as tentativas de recuperar talentos desperdiçados por escolhas dos atletas é como “chover no molhado” ou jogada de marketing, vai fazer algum barulho e fatalmente o final será o mesmo, o que é uma pena, pois perde o esporte por não conseguir recuperá-los e o futebol por talentos que poderiam render alegrias a torcida, se tornando grandes decepções.

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