Boletim Pró-Diversidade

Androginia e a quebra dos padrões de gênero

Raphaelly Bueno

Androginia e a quebra dos padrões de gênero

A androginia dentro da moda representa uma estética ambígua, onde o modelo incorpora traços masculinos e femininos em si, ou até mesmo a ausência de gênero. Contudo, vale a pena ressaltar que androginia não está ligada diretamente à sexualidade, mas à estética.
Foi nos anos vinte que este conceito foi conhecido, quando a estilista Coco Channel retirou o espartilho das mulheres e introduziu vestimentas consideradas masculinas, como a calça e a camisa de botão. Channel querendo criar um estilo mais confortável e livre para a mulher foi visionária; Outros estilistas trabalharam o conceito depois disso, como Yves Saint Lauren ao criar o atemporal Le Smoking.
Desde então a androginia vem e vai à moda, sempre trazendo alguma referência ou ideal. A moda tem disso, mais do que a roupa, o que é intangível forma o conceito, ou seja, aquilo que está por trás da modelagem e sua criação, o que representa! Foi nos anos 70, por exemplo, que o mundo da música trouxe a transgressão desta quebra dos padrões de gênero para os palcos, quando David Bowie criou seu personagem Ziggy Stardust. Representando o lado feminino, Gracie Jones é um ícone a parte, cantora e modelo jamaicana, também andrógina.
 Andrej Pejic e Casey Legler (Mario Testino/Vogue Brasil)

Mais do que o vestuário, os traços dizem muito sobre a androginia. Neste caso, tanto David Bowie
quanto Grace Jones, exibia feições do sexo oposto. Esta ambiguidade, aliada a moda, cria um estilo único que permite ao usuário brincar com a própria aparência.

No Brasil, Ney Matogrosso chamava atenção pelas maquiagens e roupas extravagantes, cheias de brilho, franjas, plumas e cortes cinturados; Além disso, Ney possui uma voz mais aguda, chamada contratenor, tudo isto forma um conceito andrógino.
Atualmente, esta moda tomou maior ânimo após o surgimento de Andrej Pejic, modelo de feições efeminadas que desfila para marcas masculinas e femininas, às vezes, no mesmo desfile. Junto dele Lady Gaga chocou a todos quando, no VMA’s 2011, apareceu como Jo Calderone, seu alter ego. Desde então, muitas pessoas vem aderindo ao estilo andrógino.
Lady GaGa (divulgação)

Há uma série de motivos pelo qual homens e mulheres usam o setor oposto ao qual é designado a eles. Algumas meninas usam o estilo Tomboy, que é o usar “as roupas do namorado”, pois se sentem mais confortáveis, dessa forma usam camisas mais largas, calças sem cortes skinny, camisetas, tênis. – E podemos dizer, que de certa forma tal estilo foi introduzido por Coco Channel nos vinte – Alguns homens mais baixos, por exemplo, compram calças femininas pelas estampas mais variadas que são encontradas, pelo caimento mais proporcional ao tamanho e pelo corte mais justo.

A quebra dos padrões de gênero mostra uma mudança na sociedade? A moda se baseia no que está acontecendo no mundo, é um termômetro social do tempo em que vivemos, talvez, por isso, devido os movimentos feministas e homossexuais estar tão em alta é que a androginia esteja mais atual do que nunca. Mas como acima citado, não está diretamente ligada à sexualidade de alguém. A estética proporcionada pela moda funciona como um caminho visual para transmitir a cultura e os ideais de quem a usa.
Assim sendo, a moda é efêmera, mas também cíclica, trazendo referência de outros anos e adaptando para os tempos atuais ela lança novos conceitos e formas, a androginia repaginada dos anos vinte, setenta e oitenta, reflete hoje, de certa maneira, a busca pelo conforto e, s

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