Boletim Pró-Diversidade

Esportes

Anderson Andrade

A grande arte de ser preconceituoso

No dia 27 de abril de 2014, em um jogo entre Barcelona e Villareal no estádio El Madrigal na Espanha, um torcedor atirou uma banana na direção do lateral brasileiro Daniel Alves que iria cobrar um escanteio, cena que infelizmente é comum nos gramados europeus e em alguns países da América Latina. Também é comum ouvir sons de macacos quando um jogador negro pegam na bola, esse tipo de ato fez que com o jogador Mario Balotelli, ameaçasse abandonar uma partida e muitos outros jogadores já sentiram isso na pele. No caso do brasileiro ele pegou a banana, descascou e comeu, além disso, o seu time perdia por 2X0 e com a ajuda dele e após esse ato do “torcedor” adversário o Barcelona virou para 3X2 o jogo.

No fim do jogo o lateral ironizou: “Incidente com a banana? Estou na Espanha há 11 anos, e isso acontece desde o início. Você tem que rir desses retardados. Eu não sei quem jogou, mas tenho que agradecer, pois me deu energia para outros dois cruzamentos que acabaram em gol” afirmou em entrevista. Já nas redes sociais ao compartilhar o vídeo Alves lembrou novamente do “torcedor” e escreveu o seguinte: “Meu pai sempre me falava: filho come banana que evita cãibra rsrs, como adivinharam isso? Hahaha”.

Neymar outro jogador do Barcelona e que havia sido vítima de racismo algumas horas depois do ocorrido postou uma foto no Instagram com a seguinte hastag: #somostodosmacacos, em apoio ao jogador, viral que invadiu as redes sociais nos últimos dias com apoio de celebridades e até de jogadores que foram acusados de racismo, no caso o jogador em questão é o atacante uruguaio Luis Suarez que chamou o francês Patrick Evra de “negrito” em 2012 e foi punido pelo ato, inclusive se negou a cumprimentar o jogador francês dois dias depois em uma partida entre as equipes que atuam.

A campanha estava pronta, pois Neymar e seu staff haviam procurado uma agência que cuida da imagem do jogador para fazer uma campanha contra o racismo e aproveitando o gancho “soltaram” na rede.Oportunismo a parte todas as celebridades sejam do esporte ou não, até uma camisa somos todos macacos foi lançada na loja virtual do apresentador Luciano Huck que é inclusive, é vendida pelo “simbólico” valor de R$ 69,90.

Na NBA uma conversa do dono do Los Angeles Clippers Donald Sterling com a sua namorada modelo V. Stiviano divulgada pelo TMZ Sports, em que o dirigente reclamava com Stiviano, que alega ser metade latina e a outra metade negra, em ter tirado fotos com a “minoria”, nesse caso o astro do basquete negro e portador do vírus HIV Magic Johnson.

“Por que você tira fotos com minorias. Por quê? Me incomoda demais que você queira aparecer se associando a pessoas negras. Você pode dormir, fazer o que quiser. Só o que eu peço é não promover isso e não trazê-los para meus jogos. Não coloque ele no Instagram para que o mundo veja e eu tenha que receber ligações. E não traga ele para minhas partidas.” disse Sterling, irritado durante a discussão.

O dono dos Clippers foi suspenso para sempre da liga e não poderá assistir jogos e treinos do seu próprio time e multado em $2,5 milhões de dólares. Além da fama negativa, já que o treinador da sua equipe e vários jogadores são negros e astros como Lebron James, Michael Jordan, Charles Barkley e até a sua própria família (ex-mulher e filhos) criticaram o dirigente, sem contar que os Clippers venciam a série melhor de sete por 2×1 e após partida em que se aqueceram com camisas vermelhas do avesso e usaram meias e acessórios pretos, viram o Golden State Warriors empatarem a série, fora isso, Adam Silver o comissário da NBA, está fazendo campanha para que Sterling coloque a venda o Los Angeles Clippers e que vai insistir com o conselho dos governadores e que espera apoio de todos os donos das equipes da franquia.

Voltando ao caso da banana o Villareal divulgou que identificou e puniu o responsável que atirou a banana em Daniel Alves e o “torcedor” também foi banido e não poderá mais frequentar as partidas do clube no estádio El Madrigal.

No Brasil o mais comum é ofender um atleta o chamando de homossexual, por exemplo, na partida em Corinthians x Flamengo, toda vez que o goleiro Felipe pegava na bola a torcida o vaiava e o chamava de “bicha” para desestabilizá-lo e também por não ter aceitado a forma em que o goleiro saiu do time em 2010 para jogar em Portugal. Richarlysson é outro jogador que os torcedores adoram pegar no pé, mas nesse caso por duvidarem da orientação sexual do atleta.

Na Alemanha parte da torcida do Bayern de Munique foi punida e não pode comparecer ao jogo contra o Manchester United, devido a “torcedores” levarem um cartaz com o desenho do jogador alemão Mesut Ozil do Arsenal de Londres, no qual ele estava de calças arriadas e com um canhão apontado para as nadegas e com a legenda “Gay Gunners” (para quem não sabe Gunners é apelido do time londrino).

O que se vê que na Europa é que mesmo com os casos frequentes de racismo e nos Estados Unidos há punição para o preconceito, que vai desde multa ao banimento, aqui na América Latina temos a cultura do que se faz em campo fica em campo, afinal não somos todos macacos, e sim somos todos bananas e por que não hipócritas, pois preconceito é preconceito seja ele racial, social, religioso ou sexual.

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