Boletim Pró-Diversidade

Esportes

A copa de Todos? Futebol e Moda demonstram visões pejorativas e preconceituosas 

Anderson Andrade

Futebol e moda combinam? Se sua resposta foi sim por causa dos cabelos extravagantes dos jogadores, uniformes arrojados e com tecnologia avançada, ternos caros e elegantes dos técnicos, e claro por roupas que os “boleiros” usam quando não estão jogando, podemos então afirmar que futebol e moda combinam, mas em se tratando da copa do mundo no Brasil, será que vão combinar?

No que depender da Adidas, das grifes holandesa Cool Cat e da brasileira Sérgio K. há controvérsias, pois bem no intuito de aumentarem as vendas e pegarem carona no que o governo e até a Coca-cola intitulam de “A copa de todos”, lançaram uma coleção de camisas para que os torcedores pudessem “torcer” ou mostrar o seu amor pelo evento, só que o tiro saiu pela culatra e gerou uma série de críticas não só do governo, mas de muitos brasileiros.

Camisas da Adidas

A Adidas que inclusive é patrocinadora oficial da copa lançou e já retirou duas camisas polemicas uma que trazia a mensagem “I Love Brazil” com um coração no que lembrava uma bunda usando um biquíni enquanto a segunda “Lookin´ to Score” que pode significar procurando por gols ou querendo faturar (gíria utilizada no sentido sexual) e ainda continha o desenho de uma mulata ao lado do Pão de Açúcar.

Em nota a fabricante de produtos esportivos alemã alegou que as camisetas eram uma edição limitada destinada ao publico americano e que acompanhava as opiniões dos parceiros e seus consumidores e por isso as camisetas não seriam mais comercializadas.

Já a Cool Cat que é holandesa colocou a venda camisas que atacam os principais adversários na copa do mundo em especial os espanhóis, ingleses, italianos e claro os brasileiros, a camisa do Brasil vem escrito “Merda”, da Espanha com a palavra “Puta”, já os ingleses são os “Bastards” ou idiotas em português e para na da Itália a palavra “Cazzo” ou “Caralho” é o destaque.

Após uma enxurrada de críticas a Cool Cat parou de comercializar algumas das camisas, mas em seu site a “England Bastards” é vendida por 14,95 euros, o mesmo valor das outras, em nota a empresa informa que os textos buscam “remeter para o ambiente de um jogo de futebol” utilizando “a linguagem do povo e da linguagem dos próprios jovens”, e ainda informa “Os textos nos t-shirts não devem ser nunca interpretados de maneira pessoal ou discriminatória” e que mesmo assim estava retirando por enquanto a venda das camisetas.

Site da Cool Cat (a esquerda) e camisas  da Sérgio K (a direta)

Para não dizer que isso é exclusividade dos “gringos” aqui no país a Sérgio K. comercializou 120 unidades da coleção jogadores por R$ 189,90, a polemica fica por conta das estampas já que xingavam jogadores famosos como Cristiano Ronaldo de “gay” e Maradona de “maricón”, fora que segundo a coleção, Balotelli é um “loser” e Zidane “is over”…

Acusado de homofóbico o estilista se defendeu dizendo que “a coleção tem veia irreverente da marca. Foi feita para quem quer torcer para o Brasil, mas não quer usar a camisa da seleção. É uma resposta a tudo que o Maradona disse ao Brasil, ao Pelé. Não é homofóbica. “Uma pessoa esclarecida vai entender. Sou super ‘open minded'(cabeça aberta), os melhores vendedores da minha loja são gays”.

Ser irreverente não significa chamar o outro de Gay e dizer que um negro italiano é um perdedor, o país não é lá essas coisas (opinião minha), porém não é uma merda ou local para turismo sexual, assim como os ingleses não são idiotas e espanhóis “putas”, enfim a copa de todos é também a copa de poucos e daqueles que tem uma visão pequena e que acreditam que os torcedores dizem no estádio não pode ser levado a sério. Quanta ignorância…

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