Boletim Pró-Diversidade

Música

Anderson Andrade

Girrrrrl Power!

No mês das mulheres, nada mais justo do que falarmos de algumas bandas formadas, lideradas por mulheres e, claro, cantoras que fizeram e fazem muito sucesso no mundo da música.
Quando decidir por escrever esse texto, pensei em focar em mulheres em bandas de rock que querendo ou não é um segmento bem machista e poucas mulheres se destacaram ao longo desses anos, mas isso não seria justo com tantas outras cantoras que estão no mainstream e que “ralaram” muito para alcançar o sucesso, numa indústria tão conservadora e como a maioria dos setores tão machista que ainda veem a mulher como objeto.
Artistas como Maysa, Janis Joplin, Elis Regina, Amy Winehouse, Whitney Houston, Cássia Eller, ficaram eternizadas não por serem símbolos sexuais e sim pelo talento, por serem grandes interpretes e também, infelizmente, por problemas com drogas e álcool que acabaram tirando suas vidas de forma prematura.
Atualmente na cena Pop cantoras como Madonna com seu estilo de se reinventar a cada álbum e é considerada a rainha da música Pop, Beyoncé que além de cantar, atuar é dona de 17 Grammys, ganhou um premio por um artigo escrito em 2012 para a revista Essence entre outras premiações.
Além delas temos várias cantoras que revolucionaram a música e são exemplos de atitudes e provam que lugar de mulher é também na música, assim como em todos os outros setores, podemos citar “The Runaways” que lançou Joan Jett ao estrelato (a cantora de I Love Rock n’ Roll uma regravação, mas que é muito mais famosa em sua voz) e que era formada apenas por mulheres no ano de 1975, que tocou com nomes como Van Halen e Ramones.
The Runaways foi uma banda tão importante que ganhou um filme estrelado por Dakota Fanning (a Jane Volturi da Saga Crepusculo) e Kristen Stewart (a Isabela Swan/Cullen também da Saga Crespusculo). No Rock ainda temos Debbie Harry a vocalista da banda Blondie (que fez muito sucesso nos anos 70 e 80 e posteriormente com o single Maria no final dos anos 90) e se tornaram ícones do New Wave.
Não dá para não falar de vocalistas femininas em banda de rock e não citar Courtney Love e sua banda Hole, a eterna viúva de Kurt Cobain, com um som mais punk no início e posteriomente mais limpo depois que Love namorou com Billy Corgan vocalista do “The Smashing Pumpkins” e nessa época lançou o aclamado Celebrity Skin.
Nos anos 90 ainda podemos falar da banda 4 non Blondies liderados por Linda Perry e que com apenas um álbum lançado alcançou o sucesso com o single “What´s Up” e depois da fim do grupo Linda trabalhou com P!nk e Christina Aguilera, além de lançar alguns álbuns solos.
Na final dos anos 90 uma banda formada apenas por mulheres começou a fazer muito barulho “The Donnas”, que tinham um som mais punk inspirado nos Ramones e estão em atividade até hoje com o seu próprio selo o Purple Feather Records.
No Brasil não temos muitas cantoras de rock femininas, além de Rita Lee que integrou os Mutantes, podemos citar Cássia Eller falecida em 2001 vítima de overdose, e da cantora baiana Pitty (que fez parte da banda punk Inkoma) que explodiram e fizeram muito sucesso no rock nacional, mas seria leviano ao afirmar que foram as únicas no país, bandas como Dominatrix, Garotas Carecas, Surface são outras bandas que não estão no mainstream porém são bandas formadas por mulheres de suma importância.
Porém nenhuma banda feminina é tão politizada e perseguida por um governo como as russas do Pussy Riot, tanto que três das suas integrantes foram presas acusadas de vandalismo por intolerância religiosa e por protestarem contra a reeleição de Vladimir Putín. As Três foram condenadas a dois anos de prisão e duas das integrantes que também eram procuradas deixaram a Rússia para evitar perseguição por protestos contra o presidente russo.
As russas junto com o Bikini Kill, Bratmobile (que são consideradas as precursoras do movimento) são alguns dos principais nomes do Riot Grrrrl, movimento surgido nos anos 90 em resposta a atitudes machistas punks, este por sua vez surgiu com o incentivo das mulheres montarem bandas de rock pesado, fazerem fanzines feministas, para expressarem suas opiniões e vontades.
A vocalista do Bikini Kill, Kathleen Hanna se apresentava com os braços, abdômen ou costas escritos com slogans como: RAPE (estupro) ou SLUT (vagabunda), enquanto uma forma de reação à violência sexual e aos comentários “machistas” que determinavam as “Garotas do Rock” ou as mais “liberais” como vagabundas. Este costume de escrever os “slogans” no corpo não parou com o Bikini Kill e até hoje várias bandas femininas se apresentam e se rebelam com o corpo riscado.
Fato que o movimento não foi apoiado apenas por mulheres e sim por várias pessoas, inclusive rockstars masculinos. Com o lema: se os homens podem, eu também posso! Fazem aquilo que amam sem se importarem com a opinião alheia.

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