Boletim Pró-Diversidade

Evita Perón: A diva eterna na alma de seu povo 

Natália Simões

De atriz do rádio e cinema à primeira dama da Argentina, Evita foi, para muitos, uma das maiores personalidades da América Latina.

A pequena Maria Eva Ibarguren, nascida na argentina a 7 de maio de 1919, era a caçula de quatro irmãos, todos ilegítimos, já que a mãe Juana, era apenas amante de Juan Duarte, um proprietário de terras. Diante o preconceito, a família mudou para a cidade de Junín, onde a menina cresceu sonhando ser como as estrelas de Hollywood. Mas seu futuro seria bem diferente.

Moça charmosa e atraente fez carreira artística como sempre sonhou, já era famosa vedete do rádio e engajada em causas humanitárias quando conheceu o coronel Juan Perón, em 1944 durante uma campanha de socorro às vítimas do terremoto de San Juan, e se tornou sua amante. Mais tarde, falsificou seus documentos para se casar legalmente com Perón, se transformando em Maria Eva Duarte, nascida a 1923.

De artista para líder política foi apenas o tempo de ganhar a confiança da nação. Após uma persistente campanha política, Juan Perón chegou à presidência da Argentina, porém quem se destacou devido ao carisma foi Eva, que entregue aos braços do povo, foi carinhosamente apelidada de Evita… Evita Perón, a esperança dos necessitados.

E o sonho da menina pobre de Junín que queria pertencer a Hollywood, já era outro. Evita, como primeira-dama, exerceu enorme influência na política argentina, ao lado do marido, fundou a sua própria organização de assistência social, a Federação do Bem Estar Social, um generoso distribuidor de recursos que convenceu os argentinos pobres de sua sincera preocupação com o bem estar deles.

Criou ainda, o Partido Peronista Feminino o qual deu o direito a voto às mulheres, sendo uma das principais figuras do movimento peronista conquistou os argentinos com sua política populista.
Sempre em viagem pelo interior do país, ela foi o canal de comunicação fundamental entre Perón e seus apoiadores nas províncias.

Impulsionada pelas massas para se candidatar a vice-presidente numa chapa que teria Juan Perón como presidente, Evita que se encontrava doente em consequência  de um câncer diagnosticado em 1946, sendo a primeira mulher na argentina a passar por quimioterapia, negou o pedido.
Em 26 de julho de 1952, o povo argentino perdeu um dos maiores ícones de sua história, morre Evita, em pouco tempo de política, muitas transformações, porém muito a ser feito.

Os argentinos saíram às ruas para manifestarem sua dor publicamente e prestaram uma última homenagem.
O velório durou 14 dias, o corpo foi embalsamado e depois de alguns anos de mistério sobre seu paradeiro, em 1971 foi devolvido a Juan Perón e enterrado no Cemitério da Recoleta em Buenos Aires. Alguns fiéis foram ao Vaticano a fim de canonizar Evita, porém não tiveram sucesso.

A força de Evita era tão grande sobre as decisões políticas na Argentina, que seu marido perdeu toda a estabilidade e poder governamental após sua morte, tendo que sair do próprio país, retornando alguns anos mais tarde.

Várias homenagens foram prestadas à líder política, entre elas o filme “Evita”, produção americana, do ano de 1996, dirigida por Alan Parker, tendo a cantora Madonna no papel principal. O filme conta como Eva se tornou uma das mais populares primeiras-damas da América Latina.

No ano de 2012, como parte das comemorações dos 60 anos de sua morte, o governo argentino modificou a cédula de cem pesos e substituiu a efígie do ex-presidente Julio Argentino Roca, que efetivou genocídio contra povos indígenas, pela efígie de Evita Perón: profissionalismo e inovação.

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